
Iniciado às 9h desta quinta-feira (15/10), o julgamento de Francisco Evaldo de Moura, réu por matar Adriano de Jesus, 50 anos, após uma briga por estacionamento, deve acabar nesta sexta-feira (16/10). O crime ocorreu em 6 de fevereiro de 2025 em Samambaia Norte. Francisco também responde por tentativa de homicídio contra o filho de Adriano, Gabriel Ferreira Gomes.
Na rua de acesso ao Fórum de Samambaia, parentes e amigos de Adriano espalharam cartazes pedindo Justiça. Adriano era conhecido como “Tio Adriano” devido à profissão que exercia, de motorista de van escolar. À época do crime, ele trabalhava com a esposa, Elaine de Cássia Ferreira, 60.
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Dezoito testemunhas, entre as de acusação e de defesa, foram arroladas no processo. Os promotores Tiago Dias Maia e Marcelo Leite representaram o Ministério Público. Na bancada de advogados, quatro atuaram como assistentes de acusação. Seis, na defesa de Francisco.
Às 16h36 desta quinta, Marcos Akaoni, advogado da família da vítima, aguardava o depoimento das testemunhas de acusação para iniciar as de defesa.
Recomeço
Emocionada, a viúva Elaine espera a condenação máxima do réu. “Espero me sentir melhor depois desse julgamento. Tenho pesadelos dele (autor) voltando e matando meu filho. Só entende a dor quem já viveu”, desabafou em entrevista ao Correio.
Após a morte do marido, a empresária precisou, além de chefiar a família de três filhos, dobrar os esforços para manter a renda em casa. “Uma semana depois do crime voltei a rodar com a van. A maior parte do salário era dele. Então, ficou bem complicado para mim. Tento mexer com o artesanato também, porque era um sonho nosso que, depois de aposentados, iríamos fazer artesanato.”
O dinheiro que recebe com o transporte escolar custeia a faculdade de agronomia cursada por Gabriel, o filho mais novo e alvo dos disparos efetuados por Francisco no dia do crime O caçula, segundo ela, procura motivos para não ficar em casa. “É uma fuga para ele. Foi muito traumatizante”, disse.
Quanto à sentença, espera pena máxima para a proteção do filho e para evitar novos crimes. “Quem mata um, mata dois.”
Crime
Em fevereiro de 2025, o filho da vítima, Gabriel Ferreira, estacionou o veículo em uma vaga pública em frente à casa do agressor. Câmeras de segurança registraram o momento em que Francisco confrontou os vizinhos e sacou uma arma.
Adriano, que tentava apaziguar a situação, foi perseguido por Francisco. O empresário foi atingido por quatro disparos — dois no pescoço e dois no tórax — e morreu no local. O agressor fugiu logo após os tiros, mas foi identificado e preso posteriormente.
À época do crime, moradores da Quadra 408 descreveram Francisco como uma pessoa de perfil hostil, que frequentemente criava conflitos por questões territoriais na rua.
Na ocasião, a família expressou o medo de permanecer no local e a dor de ver o legado de Adriano interrompido. Gabriel Ferreira, filho do casal, contou que o pai sempre foi seu maior incentivador, apoiando-o desde o sonho de ser jogador de futebol até o ingresso na faculdade de agronomia.
Cidades DF
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