CB.Saúde

Oftalmologista comenta sinal de alerta sobre canetas emagrecedoras e a visão

Ao CB.Saúde, o oftalmologista Ibraim Vieira fala dos casos investigados pela Anvisa, explica o momento certo para operar a catarata e reforça a importância de consultar um oftalmologista

O oftalmologista e cirurgião de catarata do CBV Hospital de Olhos de Brasília, Ibraim Vieira, foi o convidado desta quinta-feira (8/10) do CB.Saúde, parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. Às jornalistas Sibele Negromonte e Carmen Souza, ele falou sobre os riscos à visão associados ao uso das canetas emagrecedoras, o tratamento da catarata e os cuidados com a saúde ocular das crianças.

O especialista comentou sobre 13 notificações investigadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de uma doença que pode provocar perda repentina da visão em pacientes que usam esses medicamentos. Trata-se da Neurite Óptica Isquêmica, condição em que há redução do fluxo de sangue e de oxigênio para o nervo óptico, o que tem levado à comparação popular com um "infarto" do nervo. 

“Treze casos, pela frequência, é um número reduzido. Eu acho que não há sinais para alarmismo, mas é um sinal de alerta." Segundo o especialista, a doença é descrita há décadas e vem se tornando mais frequente no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos. Ainda assim, não há comprovação de que as canetas sejam a causa.

Vieira orienta que quem usa a medicação e percebe piora na qualidade da visão deve procurar um oftalmologista o mais rápido possível. "Dependendo da fase em que você pega a doença, você pode impedir a progressão, mas algumas vezes fica uma sequela visual", explica.

O médico também destacou que a catarata está entre as três principais causas de cegueira no país, ao lado do glaucoma e da retinopatia diabética. Por fazer parte do envelhecimento natural, ela vai atingir a todos, mais cedo ou mais tarde.

"Vivendo o suficiente, todo mundo vai ter catarata", afirma. A boa notícia, segundo ele, é que a cirurgia evoluiu e dura de 10 a 15 minutos, é feita apenas com colírio e sedação, e o paciente costuma voltar para casa no mesmo dia. "A maior parte dos casos de cegueira por catarata no Brasil é por falta de acesso. Tendo acesso, catarata é um problema solucionável", ressalta.

O especialista alerta, porém, que existe um momento ideal para operar. Esperar demais aumenta o risco de complicações. Realizar a cirurgia muito cedo, sobretudo em pessoas com miopia, eleva o risco de descolamento de retina. Entre os sinais de alerta estão a visão embaçada mesmo com óculos, a dificuldade para ler legendas e o ofuscamento ao dirigir à noite.

Assista ao programa na íntegra aqui:

*Estagiária sob a supervisão de Tharsila Prates


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