ELEIÇÕES 2026

Celina Leão vence em 17 zonas eleitorais e Leandro Grass em duas

Com 57,18% dos votos (987.142 no total), a governadora reeleita obteve seus maiores percentuais em Taguatinga, Samambaia e Recanto das Emas, enquanto Leandro Grass (PT) liderou nas Asas Norte e Sul do Plano Piloto

A disputa pelo Governo do Distrito Federal (GDF) no segundo turno entre Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT) confirmou a liderança da atual governadora na maioria das regiões do DF, em um pleito que registrou 1.854.323 votantes (82,63%) e 389.853 abstenções (17,37% do eleitorado), junto de 55.771 votos em branco (3,01%) e 72.280 nulos (3,90%). Celina terminou à frente em 17 das 19 zonas eleitorais da capital federal, totalizando 987.142 votos (57,18%), enquanto Grass concentrou seus melhores resultados nas áreas centrais de Brasília, com 739.130 votos (42,82%).

O melhor desempenho percentual de Celina foi na Zona 19, que corresponde a região de Taguatinga, onde a candidata foi escolhida por 53.444 eleitores, o equivalente a 61,93% dos votos válidos. A governadora reeleita registrou marca semelhante na Zona 13, em Samambaia, somando 66.509 votos (61,78%), e na Zona 21, no Recanto das Emas, onde alcançou 60,70% dos votos válidos (52.186 votos). O resultado colocou Celina com ampla vantagem sobre Grass nas regiões mais populosas do DF.

Nas zonas de Ceilândia, Celina Leão também superou a marca de mais da metade dos votos válidos. Em Ceilândia Centro, na Zona 8, ela registrou 60.265 votos (58,09%), enquanto Grass obteve 43.471 (41,91%). Na Zona 20, que abrange Ceilândia Sul, a candidata do PP obteve 35.850 votos (58,70%), contra 25.225 (41,30%) do postulante petista.

Grass teve seu melhores resultados nas duas mesmas regiões do primeiro turno. Na Zona 14, que abrange a Asa Norte, venceu com 46.757 votos (54,03%), contra 39.774 (45,97%) de Celina. O candidato do PT também terminou à frente na Zona 1, da Asa Sul, onde somou 29.357 votos (50,07%), enquanto a governadora teve a preferência de 29.280 eleitores (49,93%). A votação no Plano Piloto consolidou a região como o principal reduto do eleitorado da esquerda na capital.

O candidato do PT manteve votação expressiva no Paranoá, Varjão, Itapoã e Lago Norte, reunidos na Zona 2, onde alcançou 41.883 votos (46,39%), contra 48.395 (53,61%) de Celina. No Cruzeiro, Sudoeste e Octogonal, correspondentes à Zona 11, a vantagem da governadora foi de 32.327 votos (54,24%) contra 27.268 (45,76%) de Grass.

Nas demais regiões, Celina Leão ampliou a vantagem. Em Águas Claras, na Zona 15, a candidata do PP obteve 76.023 votos (57,54%), enquanto Grass registrou 56.090 (42,46%). Em Planaltina, na Zona 8, Celina somou 60.265 votos (58,09%), contra 43.471 (41,91%) do petista. Em Sobradinho, na Zona 5, a governadora alcançou 58.587 votos (56,87%), contra 44.428 (43,13%) de Grass.

O cenário favorável à governadora reeleita se repetiu no Guará (Zona 9), onde Celina registrou 57.904 votos (56,04%) contra 45.421 (43,96%) de Grass; no Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo, Park Way e Candangolândia (Zona 10), com 57.538 votos (60,48%) para Celina e 37.591 (39,52%) para o petista; e no Gama (Zona 17), onde a candidata do PP somou 55.907 votos (56,96%), contra 42.241 (43,04%) do oposicionista.

O resultado do segundo turno apontou crescimento da votação de Leandro Grass em comparação com o pleito de 2022. Naquela eleição, Leandro Grass, então no PV, obteve 434.587 votos (26,25% dos válidos) no primeiro turno, em disputa com Ibaneis Rocha (MDB), encerrada sem segunda etapa. Em 2026, filiado ao PT e liderando a federação de oposição, Grass expandiu a votação total e levou a disputa para o segundo turno no DF.

pacifico - Mapa eleitoral do DF no segundo turno

Leitura das urnas

A vitória de Celina Leão (PP) no segundo turno consolida a força da centro-direita no DF, alavancada por obras nas regiões administrativas e alianças de peso, na análise de especialistas ouvidos pelo Correio. Para o cientista político Gabriel Jubran, pós-graduado pelo IDP, o mapa das urnas reflete a aprovação de entregas locais — como o Centrad em Taguatinga, o centro TEA (transtorno do espectro autista) em Samambaia e o metrô em Ceilândia — aliada à forte mobilização ideológica.

Mariana Campos/CB/D.A Press - Junto a aliados, o petista fez o pronunciamento após a derrota na sede nacional do PT em Brasília, no Setor Comercial Sul

"O apoio de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis consolidou a candidatura de Celina no segundo turno. Ao mesmo tempo, a aprovação do governo local cresceu com propostas voltadas a essas regiões", avalia Jubran.

O analista político Érico Oyama, da BMJ Consultoria, pontua que o êxito governista combinou pautas de costumes, apoio nacional e engajamento da base de deputados distritais nas cidades. "O conservadorismo social ajuda a explicar a identificação desse eleitorado com a direita, fortalecido pela capilaridade do grupo governista", avalia.

Pensando no mandato a partir de 2027, Oyama sinaliza que a relação com o Planalto definirá a captação de verbas. "Com a vitória de Lula, a governadora precisará de uma postura mais pragmática e diálogo institucional", projeta.

Em 2026, Leandro Grass, ao migrar para o PT e levar à realização de um segundo turno, mostrou uma expansão da esquerda. Jubran ressalta que essa mudança deu musculatura e maior tempo de televisão ao projeto oposicionista, embora a falta de unidade no início do processo eleitoral tenha impedido uma aliança ainda mais ampla.

Já para Oyama, a votação de Grass nas Asas Norte e Sul reafirma a base de centro-esquerda no Plano Piloto, mas a vitória de Celina confirma que o DF permanece majoritariamente conservador. "O resultado do Plano Piloto não representa mudança no perfil político, mas a manutenção de uma base. O desafio desse campo será ampliar a presença nas áreas mais populosas do Distrito Federal", conclui.

 

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