EXPLORAÇÃO ESPACIAL

Elo perdido dos planetas mais comuns da Via Láctea é encontrado

Observação de um sistema jovem mostra como super-Terras e sub-Netunos nascem grandes e encolhem com o tempo

Concepção artística do sistema V1298 Tau, com base no artigo científico publicado na Revista
Concepção artística do sistema V1298 Tau, com base no artigo científico publicado na Revista "Nature" - (crédito: Whisk/Google IA)

Astrônomos identificaram um elo perdido crucial na formação dos planetas mais comuns da galáxia, as "super-Terras" e "sub-Netunos", os tipos mais frequentes da Via Láctea e que são ausentes em nosso Sistema Solar. A evidência vem do sistema V1298 Tau, distante entre 350 e 354 anos-luz da Terra, onde quatro planetas recém-formados foram observados em uma fase transitória rara. O estudo, publicado na prestigiosa revista Nature nesta quarta-feira (7/1), é assinado por um grupo de 42 cientistas de um consórcio internacional.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular

A estrela de V1298 Tau tem entre 10 e 30 milhões de anos, uma idade muito jovem em termos astronômicos. Ao seu redor orbitam quatro planetas (b, c, d e e) com características incomuns: raios entre 5 e 10 vezes o da Terra, mas massas relativamente baixas, de 5 a 15 massas terrestres. Essa combinação indica densidade extremamente baixa, um sinal de que esses mundos ainda estão “inchados”.

As órbitas são quase circulares, sugerindo um histórico dinâmico estável desde a formação. Esse conjunto de pistas permite observar como sistemas planetários compactos se organizam logo após nascerem.

Estrelas jovens são magneticamente ativas, o que dificulta medições tradicionais de massa baseadas no efeito Doppler, um fenômeno ondulatório observado quando há movimento relativo da fonte em relação ao observador e vice-versa. Para contornar esse problema, a equipe usou as Variações de Tempo de Trânsito (TTVs): pequenas mudanças no horário em que um planeta passa à frente da estrela, causadas pela atração gravitacional entre os próprios planetas.

A análise reuniu nove anos de dados de telescópios espaciais como Kepler (missão K2), TESS e Spitzer, além de observações terrestres. Esse acompanhamento prolongado permitiu medir massas e até recuperar o período orbital do planeta mais externo.

Apesar do tamanho grande, os quatro planetas têm núcleos semelhantes, com cerca de 4 a 6 massas terrestres. Parte deles já passou por um processo conhecido como “boil-off”, quando a rápida dissipação do gás do disco protoplanetário leva à perda acelerada de atmosfera.

O resultado são planetas que começam grandes e pouco densos e, com o tempo, encolhem. A previsão é que, ao longo de bilhões de anos, eles se contraiam para tamanhos entre 1,5 e 4 raios terrestres, exatamente a faixa das super-Terras e sub-Netunos observadas em sistemas maduros da galáxia.

Por que isso importa

A observação de V1298 Tau fornece a primeira prova direta de que planetas jovens podem nascer inflados e depois se transformar nos mundos compactos mais comuns da Via Láctea. Esse “elo perdido” ajuda a explicar por que o nosso Sistema Solar não tem super-Terras ou sub-Netunos: esses planetas podem exigir condições e trajetórias evolutivas diferentes das que ocorreram aqui.

Ao capturar um sistema no momento certo, os astrônomos avançam na compreensão de como se constrói a arquitetura planetária dominante da galáxia.

  • Google Discover Icon
postado em 07/01/2026 15:42 / atualizado em 07/01/2026 15:44
x