PRÉ-HISTÓRIA

Tragédia milenar: arqueólogos descobrem massacre de 2.500 anos

Pesquisadores conseguiram identificar as ossadas após a análise de uma vala comum encontrada no sítio arqueológico de Gomolava

Vala comum de 2.500 anos com pelo menos 77 pessoas encontrada no norte da Sérvia -  (crédito: Reprodução/ Museu de Voivodina/ Nature)
Vala comum de 2.500 anos com pelo menos 77 pessoas encontrada no norte da Sérvia - (crédito: Reprodução/ Museu de Voivodina/ Nature)

Uma pesquisa arqueológica feita no norte da Sérvia mostrou que um grupo de mulheres e crianças foi alvo de um verdadeiro massacre, que ocorreu na região a cerca de 2.500 anos. Os pesquisadores conseguiram identificar as ossadas após a análise de uma vala comum encontrada no sítio arqueológico de Gomolava.

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O estudo, que foi conduzido por uma equipe internacional liderada pela University College Dublin (UCD), teve os resultados publicados na revista científica Nature Human Behaviour. Os estudiosos conseguiram identificar os restos mortais de pelo menos 77 pessoas, que estavam enterradas todas juntas.

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O perfil das vítimas, que eram na grande maioria mulheres e crianças, sugere que o ataque não foi aleatório, fato que chamou a atenção dos pesquisadores. “Gomolava realmente nos surpreendeu quando nossa análise genética mostrou que a maioria das pessoas estudadas não era apenas não aparentada, nem mesmo seus tataravós eram. Isso era altamente incomum para uma vala comum pré-histórica e não é o que esperaríamos encontrar se todos tivessem vivido juntos em uma mesma aldeia.”, afirmou o pesquisador Barry Molloy em uma nota da UCD.

Entre as vítimas foram encontradas crianças com idades de um a 12 anos, 11 adolescentes e 24 adultos, sendo que 84% eram do sexo feminino, fato que sugeriu aos estudiosos que aquelas pessoas foram vítimas de algum tipo de ataque com estratégia deliberada. Eles também apontam que em muitos conflitos do mundo antigo pessoas jovens eram capturadas para escravidão. Já massacres como esses, poderiam significar o envio de mensagens violentas a outras comunidades.

Os pesquisadores destacam também que em valas pré-históricas é comum que as vítimas sejam enterradas às pressas por sobreviventes ou até mesmo pelos assassinos. Os corpos em Gomolava chamaram a atenção também pela forma que foram enterrados, dentro de uma casa semi-subterrânea junto de itens como joias de bronze, recipientes de cerâmica restos de um bezerro abatido e pedras usadas para moer grãos.

Os estudiosos acreditam que o massacre ocorreu em um período de instabilidade na região da Bacia dos Cárpatos, época em que as comunidades começaram a construir abrigos fortificados e disputar territórios. As análises genéticas e químicas feitas com os restos mortais das vítimas indicam que elas vieram de assentamentos diferentes, sugerindo que isso reforça a hipótese de que essas pessoas tenham sido capturadas ou deslocadas à força e morta ali.

*Estagiário sob supervisão de Ronayre Nunes

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postado em 09/03/2026 18:11
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