
Pesquisadores identificaram que a espécie de alga rara Trachydiscus minutus desafia a ciência ao fazer fotossíntese no escuro, utilizando um complexo de proteínas único para capturar luz vermelho longínqua, uma faixa de energia que a maioria das plantas não consegue aproveitar de forma eficiente. O estudo é fruto de uma colaboração envolvendo instituições do Japão, República Tcheca e Itália e foi publicado no Journal of the American Chemical Society (leia o estudo na íntegra neste link). Os dados revelam que esse organismo consegue sobreviver em ambientes de sombra extrema, onde a luz visível é filtrada pela água ou por outras plantas, restando apenas comprimentos de onda que beiram o infravermelho.
O Segredo da "Antena" Molecular
Diferente de outras plantas que precisam modificar quimicamente pigmentos para absorver luz de baixa energia, a T. minutus utiliza exclusivamente clorofila comum, o segredo para esse "superpoder" reside na estrutura da antena coletora de luz, chamada de rVCP (proteína violaxantina-clorofila deslocada para o vermelho).
Através de criomicroscopia eletrônica de alta resolução, os cientistas descobriram que a alga organiza clorofilas em um arranjo tetraédrico (com quatro unidades) nunca antes visto na natureza. Esse arranjo aproxima as moléculas de tal forma que elas passam a agir em conjunto através de um fenômeno físico chamado deslocalização de éxcitons.
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Uma Estratégia Única de Sobrevivência
A pesquisa demonstrou que a T. minutus atinge a absorção pela organização espacial das moléculas, a presença de uma clorofila específica, denominada Chl 621, é fundamental para estender os pigmentos e permitir que a alga capte luz perto de 700 nm com grande estabilidade.
"Essa descoberta altera nossa compreensão sobre como a luz pode ser manipulada por proteínas", sugere o estudo. A capacidade de utilizar luz que outros organismos ignoram permite que essa alga prospere em nichos ecológicos onde a competição por energia é menor.
Impacto na Agricultura e Biotecnologia
Além do avanço científico, os cientistas explicam que a compreensão desse mecanismo tem aplicações práticas promissoras e pode servir de modelo para redesenhar a fotossíntese em culturas agrícolas. Em plantações densas ou sistemas agroflorestais, as folhas na base das plantas sofrem com a falta de luz visível, esse novo estudo pode aumentar a produtividade global de alimentos, permitindo que as camadas inferiores das plantações também realizem fotossíntese de forma plena.
*Estagiária sob supervisão de Ronayre Nunes
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