
O uso intenso de aplicativos de namoro começa a mostrar efeitos colaterais: ao invés de facilitar conexões, tem gerado cansaço e frustração. Um levantamento da Forbes Health (2025) revela que 78% dos usuários já se sentiram emocionalmente esgotados com essas plataformas, indicando uma busca por relações mais autênticas e menos automatizadas.
Nesse ambiente, a lógica de escolhas rápidas, aliada à abundância de perfis e à incerteza sobre intenções, transforma a experiência em um processo desgastante. A sensação de ser facilmente substituído também se torna comum. “As pessoas se sentem descartáveis quando estão em um aplicativo, e existe uma competição inerente a tudo — será que meu encontro gosta mais de outra pessoa do que de mim? Com quem mais ele(a) está saindo?”, analisa Judy Ho, neuropsicóloga clínica e forense e membro do Conselho Consultivo de Saúde da Forbes.
Entre as gerações, os índices são altos em todas as faixas etárias: Geração Y (80%), Geração Z (79%), Geração X (78%) e Baby Boomers (70%). Segundo Ho, isso pode estar relacionado tanto à frequência de uso dos aplicativos quanto ao volume de interações digitais no dia a dia.
Para o terapeuta sexual Rufus Tony Spann, o desgaste está ligado a um ciclo contínuo de expectativas frustradas. “As pessoas que sofrem de burnout com aplicativos de namoro estão exaustas por conhecerem constantemente novas pessoas, perderem oportunidades e lidarem com mentiras”, diz. “Com o tempo, as experiências negativas em um aplicativo de namoro podem fazer com que a pessoa perca a esperança no processo de namoro e em encontrar a pessoa certa.”
As mulheres aparecem como as mais afetadas: 80% relatam esgotamento, contra 74% dos homens. “Dizem que as mulheres priorizam a conexão emocional, enquanto os homens priorizam a física”, explica Spann. “As mulheres podem sofrer mais com o esgotamento devido à conexão emocional, que pode ter um impacto maior do que a conexão física dos homens. Presumo que conhecer pessoas diferentes e se conectar no nível emocional possa ser visto como uma conexão mais profunda, e pode ser difícil se recuperar e se reconciliar após um namoro ou relacionamento que não deu certo.”
Entre os principais fatores desse cansaço, a dificuldade de estabelecer uma conexão real lidera (40%), seguida pela decepção com outras pessoas (35%) e pela rejeição (27%). Também contribuem as conversas repetitivas com diferentes matches (24%), o hábito constante de deslizar perfis (22%) e o tempo gasto nos aplicativos (21%). A pressão para manter uma imagem idealizada (20%) e o esforço de gerenciar múltiplos perfis (18%) ainda aparecem como causas relevantes.
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Práticas comuns nessas plataformas intensificam o problema. O ghosting (quando alguém desaparece sem explicação) foi relatado por 41% dos usuários. “Muitos dizem que as pessoas nos aplicativos deslizam para a direita ou para a esquerda e não conversam, entram em contato apenas para sexo ou iniciam a conversa e depois desaparecem se encontrarem algo de errado na conversa ou na pessoa”, afirma Spann. Já o catfishing (identidade falsa) foi vivenciado por 38% dos entrevistados. Outras experiências negativas incluem love bombing (27%), manipulação psicológica (26%), traição (21%) e situações de abuso, racismo ou sexismo (18%).
Mesmo assim, alguns usuários tentam melhorar a experiência com estratégias simples. Começar conversas com elogios é a mais comum (27%), seguida por adaptar a abordagem ao perfil do outro (26%). Por outro lado, 19% admitem reutilizar mensagens prontas, enquanto apenas 13% utilizam cantadas como principal forma de iniciar interação.

Ciência e Saúde
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