Saúde

O que acontece com seu corpo quando você para de segurar o choro

Apesar dos estigmas sociais em torno do ato de chorar, a psicóloga Anna Liberato explica que essa reação provoca efeitos biológicos e emocionais importantes no organismo

Segurar o choro é algo comum na vida de muitas pessoas. Em reuniões, discussões, no trabalho, na rua ou até diante de amigos, muitas pessoas tentam segurar as lágrimas a fim de evitar "constrangimento", mas quando finalmente se permitem chorar, o corpo reage de várias formas e muitas delas são benéficas.

O choro é uma resposta natural do organismo a emoções intensas, podendo surgir diante de perda, frustração, alegria ou até alívio. Além de expressar sentimentos, as lágrimas também cumprem funções biológicas importantes, como lubrificar os olhos e participar da regulação do estresse no corpo.

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Para a alegria dos mais emotivos, especialistas apontam que o choro pode funcionar como uma espécie de “válvula de escape” emocional e física, que, ao liberar a tensão acumulada, ajuda a equilibrar o organismo e pode até fortalecer vínculos sociais.

Cérebro 

Segundo a psicóloga Anna Liberato, pós-graduada em psicanálise, saúde coletiva, comunitária e neuropsicologia, o choro é uma resposta complexa que envolve aspectos biológicos e psicológicos.

Quando choramos, o cérebro ativa uma série de respostas neurofisiológicas. Durante esse processo, algumas substâncias podem ser liberadas no organismo, entre elas: oxitocina, associada à sensação de conforto e vínculo, endorfinas, ligadas ao bem estar-e ao alívio, e a prolactina, relacionada à regulação emocional.

Segundo a especialista, também pode ocorrer uma redução gradual do cortisol, hormônio ligado ao estresse, isso explica o alívio que sentimos ao chorarmos. 

Chorar reduz o estresse

Anna explica que o choro pode funcionar como um mecanismo natural de autorregulação emocional, ajudando o corpo e a mente a se reorganizarem diante de situações de estresse ou sobrecarga. Após o choro, o corpo tende a ativar o sistema parassimpático, responsável por estados de relaxamento e recuperação, por isso, o alívio emocional. 

Além disso, o choro também tem uma função social importante. “Quando alguém chora diante de outra pessoa, isso pode gerar empatia, acolhimento e suporte social, fatores importantes para a redução do estresse”, destaca a psicóloga.

Choro é tristeza? 

Embora muitas pessoas associem o choro apenas à tristeza, ele surge de diferentes emoções, em casamentos, nascimentos, aniversários. “Em casos de tristeza, há uma forte ativação de áreas ligadas à perda e à dor emocional. Já no caso da frustração ou da raiva contida, também entram em ação regiões do cérebro relacionadas ao controle emocional”, explica.

Ela acrescenta que lágrimas também podem surgir em momentos positivos. “Quando há uma descarga emocional após um período de tensão, como em situações de alegria intensa ou alívio, o choro também pode aparecer.”

Segurar o choro faz mal 

Para a psicóloga, segurar o choro ocasionalmente não representa um problema. No entanto, quando a repressão emocional se torna constante, podem surgir impactos na saúde mental.

“Quando emoções são cronicamente suprimidas, pode ocorrer aumento do estresse fisiológico, dificuldade de regulação emocional e até sintomas de ansiedade ou depressão”, explica.

Segundo ela, também podem surgir manifestações físicas, como tensão muscular, dores ou problemas gastrointestinais. Na psicologia, esse processo é conhecido como evitação emocional, quando a pessoa tenta evitar sentimentos difíceis em vez de processá-los.

Hora de buscar ajuda

Apesar de ser uma reação natural, o choro também pode indicar sofrimento emocional profundo em alguns casos, a psicóloga alerta que é importante buscar acompanhamento psicológico quando há:

  • Choro muito frequente ou difícil de controlar
  • Tristeza persistente
  • Sensação de vazio
  • Perda de interesse pelas atividades do dia a dia
  • Dificuldade para realizar tarefas cotidianas
  • Sintomas intensos de ansiedade ou depressão

“Nessas situações, o choro pode ser um sinal de que existe um sofrimento psíquico que precisa ser acolhido e compreendido”, afirma.

*Estagiária sob supervisão de Roberto Fonseca 

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