SAÚDE

O que as pessoas não entende sobre sepse, que vitimou o Bicampeão da Nascar

A morte precoce do piloto da Nascar Kyle Busch, aos 41 anos, reacendeu o debate sobre a sepse; O diagnóstico precoce e a busca rápida por atendimento médico são decisivos

Especialistas alertam que o quadro é uma resposta desregulada do organismo a infecções comuns, como pneumonia e infecção urinária, e pode atingir jovens e saudáveis. -  (crédito: reprodução/frontstretch)
Especialistas alertam que o quadro é uma resposta desregulada do organismo a infecções comuns, como pneumonia e infecção urinária, e pode atingir jovens e saudáveis. - (crédito: reprodução/frontstretch)

Na última quinta-feira (21/5) um dos maiores pilotos da história na National Association for Stock Car Auto Racing (Nascar), Kyle Busch morreu de forma precoce aos 41 anos. A causa da morte reacendeu debates sobre uma infecção generalizada que é cercada de desinformação, a sepse. 

O Correio entrevistou Álvaro Madeira Neto, sanitarista, gestor em saúde e diretor da Associação Médica Cearense; e Sílvia Fonseca, infectologista e professora do Instituto de Educação Médica (IDOME), acerca da emergência médica que muitas vezes costuma ser confundida apenas com uma pequena infecção. 

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Os dois especialistas alerta que o quadro é uma resposta desregulada do organismo diante de uma infecção e pode evoluir rapidamente para falência múltipla de órgãos, tornando o diagnóstico precoce decisivo para salvar vidas. Segundo Álvaro, um dos maiores equívocos da população é acreditar que a sepse ocorre apenas em pacientes internados em UTIs ou em estado terminal.

“A sepse, na verdade, é uma resposta desregulada do organismo diante de uma infecção. O problema central não é somente a bactéria, o vírus ou o fungo, mas a forma como o corpo reage a essa agressão”, explica.

O especialista afirma que infecções consideradas comuns, como pneumonia, infecção urinária ou até feridas na pele, podem desencadear o quadro. “A inflamação deixa de ser localizada e passa a atingir todo o sistema circulatório, provocando alterações na coagulação sanguínea, na oxigenação dos tecidos e na perfusão dos órgãos”, detalha.

A infectologista Sílvia reforça que a doença não está ligada apenas a bactérias. “Vírus, fungos e até doenças como malária também podem desencadear sepse. O mais importante é entender que ela é uma emergência médica e que o reconhecimento precoce faz toda a diferença”, afirma.

Principais sinais de alerta

Entre os principais sinais de alerta, os especialistas destacam:

  • febre persistente;
  • queda importante do estado geral;
  • confusão mental;
  • sonolência excessiva;
  • falta de ar;
  • pressão baixa;
  • frequência cardíaca acelerada;
  • calafrios intensos;
  • redução da urina e
  • sensação de piora rápida.

Embora idosos, imunossuprimidos, diabéticos e pacientes com doenças crônicas estejam entre os grupos mais vulneráveis, pessoas jovens e saudáveis também podem desenvolver o quadro. “O que varia é a probabilidade de evolução grave, que costuma ser maior entre os grupos vulneráveis. Mas qualquer pessoa pode apresentar essa reação inflamatória exacerbada”, explica Álvaro.

Diagnóstico e tratamento: Melhor aliado é o tempo 

A sepse pode evoluir rapidamente, quando mais cedo ocorre o diagnóstico e o início do tratamento adequado, maiores as chances de recuperação. “A sepse é uma corrida contra o colapso orgânico. Existe uma relação direta entre o atraso terapêutico e o aumento da mortalidade”, afirma Dr. Álvaro.

A infectologista complementa que o tratamento vai além do uso de antibióticos. “A hidratação rápida e o suporte clínico para estabilizar a circulação e preservar os órgãos são medidas essenciais desde o início. Existe um conceito muito importante em sepse: cada hora conta”, diz.

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Apesar dos avanços nos protocolos hospitalares, o Brasil ainda enfrenta desafios no reconhecimento precoce da doença. Para Dr. Álvaro, as desigualdades estruturais do sistema de saúde impactam diretamente no atendimento. “Temos ilhas de excelência convivendo com profundas desigualdades regionais. Muitos serviços ainda enfrentam superlotação, demora para diagnóstico, limitação de leitos e fragilidades na capacitação permanente das equipes”, pontua.

Já Sílvia Fonseca destaca que muitos pacientes chegam ao hospital em estágio avançado justamente por não reconhecerem os sintomas iniciais como algo grave. Para os especialistas, casos de repercussão ajudam a ampliar o debate público sobre a doença, mas a conscientização precisa ir além de episódios midiáticos.

"Casos de repercussão ajudam a ampliar o debate, mas é importante que a conscientização venha acompanhada de informação correta, sem gerar pânico. A população precisa entender que infecções merecem acompanhamento" afirma Silvia. 

“A população precisa compreender os sinais de gravidade e buscar atendimento no momento certo. Isso passa por campanhas de educação em saúde, comunicação clara e fortalecimento da atenção primária”, afirma Álvaro. “A principal mensagem é que sepse tem tratamento e que o diagnóstico precoce salva vidas”, conclui Sílvia.

*Estagiária sob supervisão de Aline Gouveia

 

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postado em 29/05/2026 14:11
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