
Dois casos suspeitos de ebola no Brasil estão sob investigação de autoridades sanitárias em São Paulo e no Rio de Janeiro. Tratam-se de pacientes que estiveram em países africanos recentemente e deram entrada com sintomas compatíveis com a doença.
Os pacientes tiveram, nesse sábado (30), resultados positivos para outras doenças. Um dos pacientes é um homem de 37 anos, que esteve na República Democrática do Congo, país que enfrenta um surto da doença desde o início de maio. Ele testou positivo para meningite.
Antes de ser transferido para o Instituto Emílio Ribas, em São Paulo, o paciente foi atendido em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), já bastante debilitado. Ele apresentou sintomas como diarreia, desorientação, febre e rápida piora clínica, sendo necessária a intubação.
No Rio de Janeiro, um viajante belga que está em isolamento na Fiocruz foi diagnosticado com malária. Segundo as autoridades, a possibilidade de ebola ainda não foi totalmente descartada.
Em nota enviada ao Correio, a Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro informou que o paciente é proveniente de Uganda, país que também tem casos registrados de ebola. "O caso segue em investigação pela Secretaria Municipal de Saúde, em conjunto com a Secretaria de Estado de Saúde e Fiocruz, até que toda testagem e avaliações relevantes ao diagnóstico sejam concluídas. Pessoas que tiveram contato com o paciente também seguem em monitoramento preventivamente", diz o comunicado.
"Na manhã de domingo (30/5), foram concluídas análises negativas para ebola em amostras de saliva e urina, em análises conduzidas pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). O teste diagnóstico referente à amostra de sangue segue em procedimento", disse o órgão, em nota.
Risco para o Brasil é baixo
Segundo a avaliação técnica da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo (SES-SP), o risco de introdução da doença no Brasil e na América do Sul permanece muito baixo. Entre as razões estão a ausência histórica da transmissão no continente sul-americano, a inexistência de voos diretos entre a RDC e a América do Sul e até mesmo a forma de transmissão da doença, que exige contato direto com sangue, secreções, fluidos corporais e tecidos de pessoas infectadas e sintomáticas.
"Mesmo diante do baixo risco, a orientação é para que os serviços de saúde mantenham atenção a pessoas com febre e histórico de viagem, nos últimos 21 dias, para áreas com circulação do vírus. Também devem ser avaliados casos de contato direto com fluidos corporais de pessoas suspeitas ou confirmadas", diz o órgão.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a República Democrática do Congo confirmou um total de 906 casos suspeitos e 223 mortes suspeitas, que estão sob investigação. Ao todo já são 134 casos confirmados, sendo nove em Uganda, com 18 mortes entre os casos confirmados.

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