MEDICINA

Mioma uterino: especialista revela os 7 critérios para operar ou tratar

Nem todo diagnóstico exige cirurgia: ginecologista explica como sintomas, localização e planos de maternidade definem o melhor tratamento para o mioma

Cerca de 2 milhões de brasileiras desenvolvem miomas uterinos a cada ano, segundo dados do Ministério da Saúde. Esses tumores benignos, formados no tecido muscular do útero, são frequentemente associados à necessidade de cirurgia, uma crença que nem sempre corresponde à melhor abordagem clínica.

Para o ginecologista Thiers Soares, especialista em cirurgia robótica, essa lógica precisa ser revertida. "Não operamos exames de imagem, operamos mulheres. O achado isolado de um mioma em uma rotina ginecológica nunca deve ser uma sentença de cirurgia imediata", defende.

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O médico, com atuação no Hospital Universitário Pedro Ernesto (UERJ) e no Instituto Fernandes Figueira (Fiocruz), explica que a decisão depende dos sintomas, planos reprodutivos e da localização do tumor, e não apenas do seu tamanho. A seguir, ele aponta sete diretrizes que justificam o monitoramento em vez da intervenção cirúrgica.

Quando a cirurgia pode ser evitada

1. Mioma assintomático
Se o tumor não causa dor pélvica, sangramento intenso ou pressão abdominal, não há indicação cirúrgica. Muitas mulheres descobrem miomas pequenos acidentalmente em exames de rotina, sem qualquer impacto clínico.

2. Tamanho reduzido
Miomas menores que 4 centímetros e sem crescimento acelerado costumam ser apenas monitorados. A exceção são os submucosos, localizados dentro da cavidade uterina, que exigem avaliação diferenciada.

3. Localização favorável
A posição de um mioma importa tanto quanto seu tamanho. Tumores na parte externa do útero ou dentro da camada muscular, sem interferir na cavidade uterina, geralmente não requerem tratamento cirúrgico.

4. Ausência de impacto na qualidade de vida
Quando o mioma não interfere na rotina, no trabalho ou no bem-estar da paciente, o monitoramento periódico é a estratégia mais segura e menos invasiva, evitando os riscos de um pós-operatório.

5. Preservação da fertilidade
Em mulheres que desejam engravidar, a cirurgia só é indicada quando há evidência de que o mioma representa um risco real para a concepção ou a gestação. Muitos tumores não interferem na capacidade reprodutiva.

6. Proximidade da menopausa
Miomas são dependentes de estrogênio e tendem a regredir espontaneamente com a queda hormonal da menopausa. Mulheres nessa fase, sem sintomas graves, podem se beneficiar de uma espera ativa.

7. Preferência da paciente
A autonomia da paciente é um pilar do cuidado. Se ela opta por evitar a cirurgia, devidamente informada sobre riscos e benefícios, a decisão deve ser respeitada pelo especialista, que manterá o acompanhamento clínico.

Sinais de alerta durante o monitoramento

Quando a cirurgia não está indicada, o acompanhamento com exames físicos, ultrassonografia e, em alguns casos, ressonância magnética é fundamental. Os sinais que exigem reavaliação imediata incluem:

  • Crescimento acelerado do tumor.

  • Surgimento ou intensificação de sintomas como dor ou sangramento.

  • Comprometimento de órgãos vizinhos, como bexiga ou intestino.

  • Dificuldades para engravidar ou complicações durante a gestação.

"A medicina entende que o tempo e o monitoramento correto são ferramentas terapêuticas poderosas", finaliza Soares. "Tratar miomas com responsabilidade é saber quando intervir com a máxima precisão tecnológica, e quando ter a sabedoria clínica de apenas acompanhar. A melhor cirurgia ainda é aquela indicada na hora certa, para a paciente certa."

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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