RISCO SANITÁRIO

Pseudomonas: entenda os riscos da bactéria encontrada em água mineral

Especialista afirma que espécie aeruginosa, encontrada na água mineral da marca Crystal, é a que mais preocupa as autoridades sanitárias por ser um microrganismo oportunista

Nesta quarta-feira (3/6), a Anvisa determinou o recolhimento de lotes da água mineral Crystal no Distrito Federal e em outros estados após a detecção da bactéria pseudomonas. O Correio conversou com uma especialista para esclarecer as principais dúvidas sobre esse microorganismo perigoso.

Segundo Carol Rocha, farmacêutica bioquímica, mestre em Ciências Farmacêuticas pela Universidade de Brasília (UnB), a bactéria pseudomonas é um gênero de microrganismos amplamente distribuído no meio ambiente, mas a espécie pseudomonas aeruginosa, encontrada na água mineral da marca, é a que mais preocupa as autoridades sanitárias por ser um microrganismo oportunista.

“Embora geralmente não cause problemas em pessoas saudáveis, ela representa um risco severo para indivíduos com sistema imunológico comprometido, como pacientes hospitalizados, idosos, recém-nascidos, portadores de doenças crônicas, pacientes em tratamento de câncer, transplantados e queimados”, explica. “Nessas pessoas, as defesas naturais são reduzidas, facilitando a instalação de infecções que o corpo humano normalmente barraria.”

O contato direto com o agente pode desencadear infecções em diversas áreas do corpo. As mais comuns são na pele, ouvidos, trato urinário, sistema respiratório e feridas. Também podem surgir febre, dor, vermelhidão, secreção, dificuldade respiratória e sinais inflamatórios. Segundo Carol, os sinais variam conforme o local afetado. Mas em pacientes vulneráveis, as infecções podem surgir disseminadas por todo o organismo.

Riscos ao consumidor

A detecção da bactéria em lotes de produtos não significa necessariamente um perigo imediato, diz a mestre. Segundo ela, o risco real depende de variáveis como, a quantidade de microrganismos presentes, a forma como foi feita a exposição, às condições de saúde do consumidor e a cepa identificada. “Algumas cepas possuem maior capacidade de causar infecções ou resistir a antibióticos do que outras”, esclarece.

A presença da pseudomonas em produtos de consumo voltou a chamar atenção após a mesma bactéria ter sido identificada em produtos da Ypê, suspensos pela Anvisa em abril deste ano. A especialista destaque que os dois casos exigem investigação técnica imediata para determinar se houve falha operacional ou contaminação pontual. “No momento, é considerado prematuro afirmar se há conexão direta entre diferentes episódios de contaminação sem uma análise técnica profunda”, afirmou a farmacêutica.

Para evitar casos de contaminação, a Anvisa exige regras rígidas de higiene e controle sanitário durante todo o processo de envase da água, como as RDC nº 275/2002 (Boas Práticas de Fabricação) e a RDC nº 717/2022 (controle sanitário de água de envase) para monitorar a qualidade. Falhas na limpeza de equipamentos, tubulações e reservatórios estão entre os principais fatores que podem favorecer a presença da bactéria.

A pseudomonas chama atenção pois possuem alta capacidade de adaptação e sobrevivem facilmente em ambientes úmidos, solos, plantas e reservatórios de água. “Um dos maiores desafios para a indústria é que algumas cepas podem formar biofilmes — camadas protetoras que aderem a superfícies e aumentam a resistência contra processos comuns de limpeza e desinfecção química”, conta a farmacêutica.

Por sobreviver facilmente em ambientes úmidos e formar estruturas resistentes à limpeza, a pseudomonas é considerada um dos microrganismos mais desafiadores para a indústria de alimentos e bebidas. Por isso, especialistas reforçam que o monitoramento contínuo é essencial para evitar contaminações em larga escala.

Confira a íntegra da nota divulgada pela empresa

A Mineração Bom Jesus (MBJ) informa que está finalizando o recolhimento preventivo e voluntário de um lote específico da Água Mineral Natural Crystal 500 ml sem gás.

O lote, envasado em janeiro, possui distribuição restrita e foi comercializado apenas no Distrito Federal, em municípios específicos do Tocantins (Arraias, Combinado e Novo Alegre), de Goiás (Águas Lindas de Goiás, Luziânia, Novo Gama, Valparaíso de Goiás, Cidade Ocidental, Santo Antônio do Descoberto, Planaltina de Goiás e Cristalina, Formosa, Campos Belos, Alexânia, Abadiânia e Catalão) e nas cidades de Sorocaba, Itapetininga, Itu, São Roque e Tatuí (SP).

Durante ação de fiscalização da Vigilância Sanitária, em março, em um ponto de venda específico localizado no Distrito Federal, foi identificada a presença de Pseudomonas aeruginosa em uma amostra coletada. Desde a notificação, foram realizadas análises em mais de 300 amostras no processo e nos produtos, todas com resultados negativos para quaisquer microrganismos indicadores de contaminação. Considerando o alto giro do produto nos pontos de venda, não há indicação de que esse lote ainda esteja disponível no mercado.

Reforçamos nosso compromisso permanente com elevados padrões de qualidade e segurança, reconhecidos internacionalmente, e seguimos cooperando de forma técnica, responsável e transparente com as autoridades competentes.

Os consumidores podem manter a confiança no consumo dos produtos da marca, enquanto a empresa avança nas avaliações necessárias para o completo esclarecimento do caso junto aos órgãos reguladores. Reiteramos, por fim, que a marca Crystal é produzida a partir de diferentes fontes de água mineral em todo o território nacional, de acordo com o engarrafador responsável em cada região, todas devidamente licenciadas e fiscalizadas pelos órgãos competentes.

Ressaltamos que esta medida se refere exclusivamente ao lote mencionado, envasado pela Mineração Bom Jesus (MBJ), não havendo qualquer relação com outros lotes ou produtos da marca Crystal. A unidade fabril permanece operando normalmente e cumprindo rigorosamente os mais elevados padrões de qualidade e segurança, com processos certificados, monitoramento contínuo e total conformidade com a legislação vigente.

Orientação aos consumidores 

Consumidores que eventualmente possuam unidades do lote P 200126 (leia-se na embalagem LZ1 VAL 200127 3 P 200126) devem entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) para orientações sobre substituição ou reembolso.

0800 061 5000contato@brasal.com.br

Como identificar o lote

Lote: P 200126 (leia-se na embalagem LZ1 VAL 200127 3 P 200126)
Validade: 20/01/2027

Sobre Pseudomonas aeruginosa
Importante destacar que a Pseudomonas aeruginosa é considerada uma bactéria oportunista. A ingestão não é uma via típica de infecção e, de acordo com a literatura científica disponível, não há associação relevante entre sua ingestão e a ocorrência de efeitos adversos à saúde da população em geral.

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