Com a queda das temperaturas em Brasília e a baixa umidade do ar típica desta época do ano, os efeitos do inverno vão muito além do desconforto térmico. Pele ressecada, sensibilidade, descamação e sensação de repuxamento se tornam reclamações frequentes nos consultórios dermatológicos, principalmente no Distrito Federal, onde o clima seco intensifica os danos à barreira cutânea.
Segundo a biomédica Sofia Freire, o inverno brasiliense é especialmente desafiador para a pele porque combina frio e baixa umidade, fatores que favorecem a perda de água e comprometem a hidratação natural. “Muitas vezes os primeiros sinais são sutis. A pessoa percebe perda do viço, sensação de repuxamento após lavar o rosto, aumento da sensibilidade e maquiagem que não assenta bem”, explica.
Ela destaca que, antes mesmo da descamação aparecer, a pele já pode apresentar aspecto opaco, linhas finas mais aparentes e sensação temporária de envelhecimento, causada justamente pela desidratação. A dermatologista Patrícia Dalboni afirma que o frio interfere diretamente na barreira cutânea, estrutura responsável por proteger a pele contra agressões externas.
“Com a baixa umidade do ar, aumenta a perda de água pela pele. Além disso, os banhos quentes e prolongados destroem a camada lipídica que protege a superfície cutânea”, explica.
Segundo a especialista, esse processo favorece microfissuras invisíveis, deixando a pele mais vulnerável à irritação, coceira, vermelhidão e até infecções.
Doenças de pele podem piorar no inverno
Quem já convive com doenças dermatológicas deve redobrar os cuidados nesta época do ano. De acordo com a dermatologista Patrícia Dalboni, formada pela Fundação Oswaldo Aranha (UNIFOA), quadros como dermatite atópica, rosácea, psoríase e melasma costumam sofrer agravamento durante o inverno. “A dermatite atópica tende a piorar significativamente no frio, e a hidratação rigorosa é a principal estratégia de controle”, alerta.
Ela também chama atenção para idosos e diabéticos, principalmente nas regiões dos pés e tornozelos. O ressecamento intenso pode provocar rachaduras que facilitam a entrada de bactérias e aumentam o risco de infecções.
Embora seja quase inevitável nos dias frios, o banho quente aparece entre os principais responsáveis pelo ressecamento da pele. Patrícia compara o efeito da água quente ao processo de retirar gordura da louça. “Quanto mais quente e prolongado o banho, maior é a remoção da proteção natural da pele”, afirma.
A recomendação é reduzir o tempo no chuveiro, evitar temperaturas muito altas e substituir sabonetes agressivos por versões mais suaves, como syndets e óleos de banho. Outro cuidado importante é aplicar hidratante logo após o banho, quando a pele ainda está levemente úmida, favorecendo a absorção dos ativos hidratantes.
Inverno favorece procedimentos dermatológicos
Além dos cuidados diários, o inverno também é considerado uma boa época para alguns tratamentos estéticos e dermatológicos, justamente pela menor exposição solar. Segundo Sofia Freire, procedimentos como lasers fracionados, peelings químicos, skinboosters e tecnologias como Lavieen costumam ser mais indicados nesta estação.
“O inverno é uma excelente oportunidade para investir na qualidade da pele, desde que os tratamentos sejam feitos com avaliação individualizada e foco no fortalecimento da barreira cutânea”, explica.
Ela ressalta ainda que ativos como ácido hialurônico, niacinamida, ceramidas, pantenol e antioxidantes ajudam a recuperar hidratação e luminosidade.
Alimentação, sono e água também fazem diferença
Os cuidados com a pele não dependem apenas dos cosméticos. A alimentação equilibrada, a ingestão de água e a qualidade do sono também influenciam diretamente na recuperação da pele durante períodos de clima seco. “A pele reflete diretamente os hábitos de vida. Pessoas com privação de sono frequentemente apresentam mais ressecamento, opacidade e dificuldade de recuperação”, afirma Sofia.
Segundo ela, alimentos ricos em antioxidantes, vitaminas, proteínas e gorduras boas auxiliam na manutenção da barreira cutânea e nos processos de regeneração celular.
Mesmo nos dias frios e nublados, especialistas alertam que o protetor solar não deve ser abandonado. “A radiação ultravioleta continua alta no Brasil durante o inverno. O protetor previne manchas, envelhecimento precoce e câncer de pele”, reforça Patrícia Dalboni.
Ela destaca ainda que muitas pessoas deixam de usar o produto nesta época do ano, o que pode piorar quadros como o melasma.
Principais erros que prejudicam a pele no inverno
Entre os hábitos mais comuns que acabam agravando o ressecamento da pele durante o frio, as especialistas destacam:
- Banhos muito quentes e demorados;
- Redução da ingestão de água;
- Excesso de esfoliação;
- Uso inadequado de ácidos;
- Falta de hidratantes específicos;
- Abandono do protetor solar;
- Procedimentos sem avaliação profissional.
Para Sofia Freire, o principal erro é esperar os danos aparecerem para começar os cuidados. “No inverno, muitas pessoas focam apenas em tratar o ressecamento que já apareceu. O ideal é agir antes. Quando cuidamos da hidratação de forma preventiva, preservamos não apenas a beleza, mas também a saúde da pele”, conclui.
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