Buraco negro

Telescópio Hubble descobre buraco negro "invisível" no espaço

Após décadas de busca, astrônomos utilizam 20 anos de dados dos telescópios Hubble e James Webb para localizar o primeiro buraco negro de massa estelar no aglomerado Ômega Centauri

Astrônomos descobriram o primeiro buraco negro de massa estelar em Ômega Centauri, que possui uma estrela companheira visível, mostrada em detalhes -  (crédito: Reprodução/NASA )
Astrônomos descobriram o primeiro buraco negro de massa estelar em Ômega Centauri, que possui uma estrela companheira visível, mostrada em detalhes - (crédito: Reprodução/NASA )

Por décadas, um dos maiores aglomerados de estrelas da vizinhança espacial da Via Láctea parecia esconder um segredo. Agora, graças a uma investigação de 20 anos conduzida pelos telescópios Hubble e James Webb, os astrônomos finalmente encontraram o primeiro dos “buracos negros desaparecidos” de Omega Centauri, revelando um objeto com características que desafiam o que sabíamos sobre a evolução do universo. 

O enorme aglomerado globular de estrelas Ômega Centauri intriga os astrônomos há décadas, isso porque, ele deveria estar repleto de buracos negros remanescentes da explosão de estrelas, mas as evidências desse fenômeno são escassas. Agora, os astrônomos, utilizando dados do Telescópio Espacial Hubble da Nasa e observações complementares do Telescópio Espacial James Webb finalmente localizaram o primeiro buraco negro de massa estelar nesse aglomerado. As descobertas da equipe foram publicadas nesta segunda-feira (13/7) no periódico The Astrophysical Journal Letters.

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O Ômega Centauri é composto por cerca de 10 milhões de estrelas ligadas por força gravitacional. Embora a comunidade astronômica tenha encontrado anteriormente evidências, com o Hubble, de que um buraco negro de massa intermediária se esconde em seu centro, modelos sugerem que este aglomerado estelar também deve conter cerca de 10.000 buracos negros menores, que escaparam da detecção em estudos observacional anteriores. 

Detalhes da astrometria

Esta nova descoberta, porém, apresenta uma abordagem diferente, conhecida como astrometria, que serve para medir movimentos muito pequenos de estrelas ao longo do tempo. Ao analisar mais de 20 anos de dados de arquivo do Hubble e incorporar dados recentes do Webb para refinar ainda mais suas medições astrométricas, a equipe localizou uma estrela orbitando um objeto invisível tão massivo que só pode ser um buraco negro. 

Apelidado de "oMEGACat BH-2", esse é o primeiro buraco negro de massa estelar detectado em Ômega Centauri e possui algumas características surpreendentes, como uma massa menor do que a esperada e, com a estrela companheira visível. Um das coisas que torna esse buraco negro especial e um pouco estranho é justamente esse período orbital. A estrela leva 94 anos para completar uma volta ao redor do buraco negro. 

Esse diferencial também fornece uma pista sobre a origem desse sistema binário, que provavelmente se formou dinamicamente, o que significa que a estrela e seu buraco negro companheiro não começaram juntos, mas sim se encontraram nesse aglomerado. Anil Seth, da Universidade de Utah, coautor do estudo explica que ambientes como Ômega Centauri são os principais lugares onde buracos negros se fundem e criam ondas no tecido do espaço-tempo, as chamadas ondas gravitacionais, e entender essa população ajuda a interpretar esses eventos cósmicos. 

Esta descoberta é apenas o começo. Com a ajuda dos telescópios Hubble, Webb e do futuro Nancy Grace Roman, os cientistas esperam encontrar muitos outros sistemas semelhantes "escondidos" na nossa galáxia. 

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postado em 13/07/2026 19:43
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