
A discussão sobre o câncer colorretal ainda está distante do cotidiano da maioria dos brasileiros, mas isso não significa falta de informação sobre seus riscos. É o que mostra a pesquisa inédita A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos, do A.C.Camargo Cancer Center e da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, que ouviu mais de 2 mil pessoas em todo o país.
Segundo a pesquisa, 8 em cada 10 brasileiros reconhecem como grave a presença de sangue nas fezes ou mudanças de funcionamento no intestino por mais de um mês, dois dos principais sintomas da doença. Mas na maioria dos casos, o conhecimento não vem a partir da proximidade, e apenas 21% dos entrevistados conhecem alguém que já teve a doença, sendo 15% um parente muito próximo e 6% um amigo ou conhecido. Outros 75% disseram que nunca tiveram contato com pacientes desse tipo de câncer.
O tema ganha ainda mais relevância diante dos números recentes da doença no país. Em fevereiro deste ano, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimou 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil para o triênio 2026-2028, o que o torna o segundo tumor com maior incidência entre os brasileiros. A doença é a mesma que a cantora Preta Gil, que faleceu em julho do ano passado, enfrentou durante dois anos.
Um dos achados mais relevantes do estudo diz respeito à distância entre reconhecer o risco e agir diante dele. Dos 9% que afirmam já ter notado algum dos sintomas, 59% dizem ter buscado atendimento médico imediatamente, mas uma parcela expressiva, de 40% não teve essa reação. 19% desses afirmam que não fizeram nada e só esperaram o sintoma passar, 10% aguardam dias ou semanas antes de procurar um médico, 7% recorreram a remédios caseiros ou mudanças na alimentação, 3% foram à farmácia buscar medicação por conta própria e 1% pesquisou na internet antes de buscar orientação profissional.
Outra descoberta preocupante da pesquisa é o desconhecimento sobre ferramentas de rastreamento precoce. Dois em cada três brasileiros, 67%, nunca ouviram falar do exame Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO), recurso simples e utilizado para identificar sinais da doença antes mesmo do aparecimento de sintomas evidentes. Apenas 11% já realizaram o exame, enquanto 21% conhecem o procedimento, mas nunca o fizeram.
Diante do crescimento da doença no país, especialistas do A.C.Camargo reforçam a importância de não ignorar sinais como sangramento, alteração no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente, além da realização de exames preventivos a partir dos 45 anos ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar.
“O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, na detecção da doença ainda em estágio inicial”, comenta o Dr. Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cancer Center.
A Nexus entrevistou, face a face, 2.015 cidadãos com idade a partir de 16 anos, nas 27 Unidades da Federação (UFs). A amostra foi controlada a partir de quotas de sexo, idade, PEA, região e condição do município. A margem de erro no total da amostra é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.Saiba Mais

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