Amazônia

Pesquisa descobre quais árvores sustentam a Amazônia contra desmatamento

Estudo brasileiro identifica grupo de árvores que domina o processo de recuperação da floresta, com um instinto inteligente para regeneração com espécies que reagem melhor a condições hostis

Estudo brasileiro identifica grupo de árvores que domina o processo de recuperação da floresta, com um instinto inteligente para regeneração com espécies que reagem melhor a condições hostis 
 -  (crédito: wikimedia commons)
Estudo brasileiro identifica grupo de árvores que domina o processo de recuperação da floresta, com um instinto inteligente para regeneração com espécies que reagem melhor a condições hostis - (crédito: wikimedia commons)

Toda vez que uma área da Amazônia é destruída, a floresta parece “saber” por onde recomeçar. Um grupo composto de apenas algumas espécies de árvores domina, repetidamente, o processo de regeneração em qualquer parte do bioma, e um estudo brasileiro identificou por que a natureza recorre sempre a esse mesmo grupo primeiro. 

A resposta está em uma seleção natural bem específica. Segundo Fernando Elias, pesquisador que liderou o estudo com apoio do Instituto Serrapilheira, a maioria das árvores amazônicas precisa crescer à sombra de outras para sobreviver. Mas algumas espécies suportam o sol a pino, solo compactado e calor extremo. 

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Esse é o cenário que a vegetação encontra depois de um processo de destruição para dar lugar à pastagem, roça ou lavoura. Para se manter de pé, a floresta responde de forma "inteligente", trazendo primeiro essas espécies, que abrem caminho para o restante da floresta crescer.

Hoje, o bioma registra a menor área sob alerta de desmatamento desde o início da série atual do sistema de monitoramento Deter, em 2016. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, a Amazônia registrou 2.874 km² sob alerta , segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). 

A floresta reage dessa forma porque, depois de um desmatamento, a floresta ainda tenta sobreviver e, ainda que o solo tenha sido degradado, a vegetação nasce de novo, é o que chamamos de floresta secundária, também conhecidas como capoeiras. 

Esse tipo de vegetação nem sempre nasce tão rápido quanto a floresta original , nem é tão densa ou biodiversa quanto antes. O que a pesquisa de Elias e sua equipe mostra é que essas primeiras espécies funcionam como uma respostas “inteligente” da floresta para sobreviver e criar as condições para que as demais possam nascer. 

O estudo mapeou 102 parcelas de floresta secundária espalhadas por quatro regiões do leste da Amazônia, separadas por uma distância média de 600 quilômetros entre si. O mesmo padrão de dominância se repetiu em todas elas, um indício de que essas espécies não são um acaso local, mas um padrão real de como a floresta amazônica se recompõe.

Essas espécies crescem rápido e produzem grandes quantidades de folhas, que ao caírem no chão ajudam a fertilizar o solo. Com suas copas, elas também reduzem a temperatura por baixa delas. Segundo Elias, é possível ter uma diferença de 3 a 4 graus celsius dentro da floresta. 

Essa sombra e esse solo mais fértil criam um microclima ameno o suficiente para que espécies mais sensíveis, que não sobreviveriam ao calor de uma pastagem, consigam se estabelecer depois. 

"As capoeiras podem recuperar até 88% da riqueza de espécies e 85% da composição florística, que corresponde à composição original da floresta, nos primeiros 40 anos", diz Fernando. 

Entre as especiais que formam as capoeiras algumas são mais conhecidas que outras como Embaúba (Cecropia palmata), Araticum-bravo (Annona exsucca), Ingá-vermelho (Inga alba), Tatapiririca (Tapirira guianensis) e Inajá (Attalea maripa). 

Segundo o pesquisador, essas espécies podem ser utilizadas para direcionar as ações de restauração, já que estão crescendo naturalmente, sob condições naturais, o que significa que poderiam orientar o plantio de mudas em áreas que o poder público ou proprietários rurais queiram restaurar de forma mais rápida.

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postado em 14/08/2026 12:11
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