Desenvolvimento humano

Cientistas mantêm organoides cerebrais vivos por cinco anos

Para estudar esse processo prolongado, os pesquisadores tradicionalmente dependem de tecido cerebral humano doado e de modelos animais.

Pesquisa cultiva organoides cerebrais com desenvolvimento semelhante ao 
cérebro humano -  (crédito: DCN van der Heijden / UMC Utrecht)
Pesquisa cultiva organoides cerebrais com desenvolvimento semelhante ao cérebro humano - (crédito: DCN van der Heijden / UMC Utrecht)

 Uma equipe internacional de cientistas conseguiu manter organoides cerebrais criados a partir de tecido humano por mais de cinco anos. As estruturas continuaram amadurecendo de maneira que se assemelha muito ao desenvolvimento do cérebro. Segundo a pesquisa, publicada, ontem, na revista Nature, ao estender a vida útil dessas miniaturas, os pesquisadores podem estudar melhor o neurodesenvolvimento, modelar distúrbios e testar potenciais medicamentos.

De acordo com o estudo, o cérebro humano continua se desenvolvendo até cerca dos vinte anos. Para estudar esse processo prolongado, os pesquisadores tradicionalmente dependem de tecido cerebral humano doado e de modelos animais. No entanto, ambas abordagens têm limitações. 

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Portanto, a ciência tem usado cada vez mais organoides cerebrais derivados de células-tronco humanas. "Esses modelos nos permitem acompanhar o desenvolvimento ao longo do tempo e examinar como diferentes tipos de células cerebrais emergem", afirma  Noelia Antón-Bolaños, professora assistente da UMC Utrecht, nos Países Baixos. 

Durante a pesquisa, os cientistas enfrentaram um desafio, manter os organoides cerebrais saudáveis por vários anos. "Durante o desenvolvimento do cérebro humano, os neurônios exibem atividade espontânea", detalhou Antón-Bolaños. "Ao adaptar a composição do meio de cultura, conseguimos sustentar essa atividade, manter os neurônios ativos e preservar as populações neuronais por muito mais tempo." 

Usando essa abordagem, a equipe manteve os organoides por mais de cinco anos. Em períodos definidos, os pesquisadores analisaram os tipos de células presentes, os padrões de expressão gênica, as alterações epigenéticas e a atividade neuronal. 

Os pesquisadores examinaram se os organoides permaneceram vivos ou continuaram se desenvolvendo. Diferentes tipos de células cerebrais surgiam na mesma ordem que durante o desenvolvimento do cérebro humano, os neurônios formavam conexões cada vez mais complexas e os genes se tornavam ativos ou inativos nos momentos esperados. 

Retenção de memória 

A equipe também descobriu que as células maduras retêm uma memória do tempo de desenvolvimento. "Quando dissociamos um organoide mais velho e permitimos que as células crescessem novamente, elas produziram os tipos de células associados a um estágio de desenvolvimento tardio", explicou Antón-Bolaños. "No entanto, quando combinamos células mais velhas com células mais jovens, as mais velhas recuperaram a capacidade de produzir neurônios, mas apenas os tipos associados a estágios posteriores de desenvolvimento", explicou. 

Como os organoides continuam amadurecendo ao longo de anos, os pesquisadores podem examinar uma porção muito maior da trajetória do desenvolvimento humano. Isso é relevante, sobretudo, para estudar condições como o transtorno do espectro autista e a esquizofrenia, nas quais o neurodesenvolvimento alterado desempenha um papel importante. 

As estruturas continuam em desenvolvimento no laboratório. Os pesquisadores agora querem determinar como estímulos ambientais, como a luz, melhoram o amadurecimento. Eles também pretendem aprimorar características que permanecem incompletas, incluindo a vascularização e a organização em camadas do córtex cerebral.

 

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postado em 21/08/2026 05:04
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