SAÚDE BUCAL

Ômega-3 e ácido acetilsalicílico têm eficácia contra periodontite grave

Estudo revela que a combinação é tão eficaz quanto antibióticos e surge como uma alternativa promissora para tratar a inflamação grave da gengiva

Pesquisa aponta novas abordagens para o tratamento da periodontite, que afeta a saúde bucal -  (crédito: Reprodução/Shutterstock)
Pesquisa aponta novas abordagens para o tratamento da periodontite, que afeta a saúde bucal - (crédito: Reprodução/Shutterstock)

A combinação de ômega-3 e ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose apresentou resultados semelhantes aos de antibióticos no tratamento da periodontite grave. A descoberta, publicada no Journal of Periodontology, sugere uma alternativa terapêutica em um cenário de preocupação com a resistência bacteriana.

A periodontite é uma inflamação crônica causada pelo acúmulo de bactérias abaixo da gengiva, que afeta os tecidos de suporte dos dentes. Sem controle, pode levar à mobilidade e perda dentária.

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“Os pacientes com doença grave apresentam bolsas muito profundas, que funcionam como reservatórios para bactérias associadas à doença. É um quadro bastante desafiador de tratar”, afirma a cirurgiã-dentista Nídia Cristina Castro dos Santos, primeira autora do estudo.

Como a pesquisa foi realizada

O estudo acompanhou 109 pacientes com a doença em estágio avançado por um ano. Todos passaram pela instrumentação subgengival, conhecida como raspagem, e foram divididos em quatro grupos com terapias complementares distintas:

  • Grupo 1: recebeu placebo.

  • Grupo 2: tomou os antibióticos metronidazol e amoxicilina por 14 dias.

  • Grupo 3: usou 3 gramas de ômega-3 e uma dose diária de AAS por seis meses.

  • Grupo 4: recebeu a combinação das duas estratégias.

Ao final de um ano, 57,7% dos pacientes que receberam ômega-3 e AAS atingiram a meta clínica, percentual quase idêntico aos 58% do grupo tratado com antibióticos. No grupo placebo, o índice foi de 23,1%. A associação das duas estratégias não trouxe benefícios adicionais.

Modulação da inflamação

Diferentemente de anti-inflamatórios tradicionais, o ômega-3 participa da produção de moléculas que resolvem a inflamação e reparam os tecidos. O AAS em baixa dose potencializa esse processo. A surpresa foi que as duas terapias tiveram um desempenho muito parecido.

Outro ponto relevante foi a manutenção dos benefícios. Mesmo seis meses após o fim da suplementação, os pacientes mantinham resultados semelhantes, sugerindo que a modulação da resposta inflamatória pode ter efeitos duradouros.

Para Magda Feres, autora principal do estudo, os resultados indicam uma alternativa viável para pacientes selecionados. “A combinação de ômega-3 e aspirina em baixa dose alcançou benefícios clínicos comparáveis aos do protocolo com metronidazol e amoxicilina, o que abre uma alternativa real para quem não pode usar antibióticos”, afirma.

Os autores ressaltam que os achados não significam uma mudança imediata na prática clínica. O estudo foi feito com pacientes sem doenças sistêmicas importantes e novos trabalhos são necessários para confirmar os resultados em diferentes populações.

Análises microbiológicas em andamento investigam como as terapias influenciam as bactérias nas bolsas periodontais. “É um avanço importante, mas não um ponto final. A mensagem, portanto, é de otimismo cauteloso: temos uma alternativa promissora e cientificamente plausível ao antibiótico em casos selecionados”, conclui Feres.

*Com informações da Agência Fapesp

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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postado em 03/09/2026 14:46
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