Uma pesquisa realizada com camundongos pela parceria da USP, Unicamp e a Universidade de Michigan, mostrou que exercícios intensos aumentam os níveis de dopamina durante os períodos de repouso. O cientistas buscam compreender por que atletas que exageram no treino sofrem com ansiedade, insônia e fadiga crônica.
O estudo, publicado na revista Neuroscience, dividiu os roedores em dois grupos de rotina de treinos intensos. O primeiro grupo passou por um teste de treino agudo, correndo em uma esteira até a exaustão. Já o segundo grupo, simulou uma rotina de treino de atletas de alto rendimento que já sofreram da síndrome de overtraining.
Esse segundo grupo foi monitorado por oito semanas, onde realizavam treinamentos com cargas progressivamente mais pesadas. Em seguida os cientistas, analisaram o hipocampo dos animais, monitorando os níveis de dopamina, serotonina e de proteínas.
No primeiro grupo, os estudos mostraram que a dopamina subiu logo após a realização dos exercícios. Porém no segundo grupo, os níveis de dopamina e da enzima TyrH, responsável pela sintetização do neurotransmissor, estavam elevados 48 horas após o teste de desempenho, mesmo sob repouso.
Segundo o coordenador da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EEFERP-USP), Adelino Sanchez Ramos da Silva, caso encontrem mudanças semelhantes nos humanos, elas poderão ajudar na compreensão de possíveis relações entre treinamentos excessivos, regulação cerebral e os distúrbios do sono.
O estudo não mediu o sono, o estado de alerta e a ansiedade dos camundongos. Entretanto, a relação entre esses sintomas e as descobertas da pesquisa poderão ser exploradas em estudos futuros.
* Estagiário sob supervisão de Paulo Floro.
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