ASSÉDIO!

Kyra Gracie, campeã mundial de jiu-jitsu, revela que foi vítima de assédio

Ela também relatou ter testemunhado diversos casos com outras mulheres

Referência do jiu-jitsu mundial, Kyra Gracie decidiu tornar público um tema que, segundo ela, sempre foi tratado como tabu dentro do esporte.

Em um vídeo divulgado em seu canal no YouTube, a atleta que é octacampeã mundial e esposa do ator Malvino Salvador, relatou ter sido vítima de assédio ainda jovem.

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Kyra, inclusive, afirmou ter presenciado inúmeros episódios semelhantes ao longo da carreira, denunciando abusos recorrentes nos bastidores das competições.

Ao explicar por que resolveu falar agora, atleta destacou o impacto pessoal da decisão. “Há muito tempo resolvi que não posso mais ficar calada. E isso foi libertador para mim”, afirmou.

Em seguida, ela compartilhou um episódio marcante vivido quando tinha cerca de 18 anos, envolvendo um homem mais velho que se aproximou sob o pretexto de oferecer patrocínio.

“‘Imagina você peladinha dentro do meu kimono keiko’. Um senhor de idade falando isso para uma menina. E essa menina era eu, com 18 ou 19 anos. Ele veio me abordar, dizendo que queria me patrocinar, e eu congelei. Quando ele estava nos eventos, ele aparecia, eu me escondia. Congelava de novo. Ele errou, e eu me calei. Guardei isso até agora porque o ambiente silencia as muito as mulheres”, relatou.

Segundo a faixa-preta, nem mesmo o fato de pertencer à família Gracie, responsável por difundir o jiu-jitsu no Brasil e no mundo, foi suficiente para protegê-la desse tipo de violência.

“Já passei por muitas situações contrangedoras, de assédio, e tenho certeza que se eu não fosse da família Gracie seria muito pior”, declarou.

Kyra também afirmou que o homem responsável pelo episódio que viveu continua atuando no meio esportivo. De acordo com ela, o mesmo indivíduo ainda patrocina “eventos e meninas no esporte”.

A atleta reforçou que o problema vai além de casos isolados e pediu engajamento para enfrentar a questão.

“Por isso eu preciso que você também entre nessa luta. O que acontece nos bastidores do jiu-jitsu não é uma exceção. É um problema do sistema todo. Faz parte da cultura do jiu-jitsu. E vai sendo passado de geração em geração. Testemunhei centenas de casos, e por muito tempo tive medo de falar”.

No desabafo, Kyra reconheceu que pode ser alvo de críticas por trazer o assunto à tona apenas agora, mas defendeu a importância de romper o silêncio.

“Sei que vou ser criticada por só falar agora, mas o silêncio só protege os agressores. E a cada dia vão surgindo mais denúncias de assédio contra professores e nomes renomados do meio da luta”.

“Claro que todos os casos devem ser apurados pela Justiça, mas eu quero falar que esse tipo de denúncia não me pegam de surpresa”.

“Quem viveu esse meio sabe que situações assim são tratadas como normal. A maioria das mulheres do jiu-jitsu já passou por algo semelhante. E o ambiente da competição do jiu-jitsu é de fato muito perigoso para meninas e mulheres, salvo pouquíssimas exceções”, declarou.

 

 

 

 

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