
Três décadas após a tragédia que tirou a vida dos integrantes do grupo Mamonas Assassinas, novos relatos sobre o resgate das vítimas voltaram a repercutir nas redes sociais.
O acidente aéreo, que aconteceu em 2 de março de 1996, voltou ao centro das discussões nesta semana, especialmente após o coronel do Corpo de Bombeiros Jefferson de Melo relembrar detalhes da operação realizada no local da queda.
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Durante participação no TikTal Podcast, apresentado por Rei Dias, o militar, que liderou os trabalhos na área do desastre, contou como a equipe recebeu o chamado naquela noite.
Segundo ele, a comunicação na época ainda era limitada.
“Essa ocorrência tem uma particularidade muito grande. Primeiro, que na época a gente nem tinha celular, usava famoso bip. Pra ajudar, foi no sábado à noite. Veio a demanda que a população achava que tinha caído um avião e o quartel foi acionado. Ninguém tinha certeza de nada e não sabia que era o avião dos Mamonas”, começou ele.
Ainda de acordo com o coronel, a confirmação de que se tratava da aeronave que transportava os músicos surgiu apenas algum tempo depois, conforme novas informações começaram a chegar ao local.
Ao iniciar as buscas pela área atingida, os bombeiros passaram a seguir o rastro deixado pelo impacto da aeronave na vegetação.
“A gente foi seguindo o trajeto dos estragos que o avião fez. Você via pedaço de avião em cima de árvore, aqui e ali, e descendo o morro até que encontramos os primeiros corpos, que eram o piloto e o copiloto”, disse.
Segundo Melo, à medida que os integrantes eram localizados, os socorristas reuniam os corpos em um mesmo ponto para facilitar o trabalho das equipes.
“O que nós fizemos? Conforme íamos encontrando os integrantes, removíamos e fomos concentrando todos em um local só, pra ficar tudo junto. E, assim, bombeiro está acostumado, mas não é uma coisa agradável de se ver. Eram famosos, tivemos que fazer um isolamento grande”, comentou.
Em determinado momento da operação, os profissionais perceberam que ainda faltava uma vítima a ser localizada.
“E faltava um, na soma, faltava um. [Pensaram] ‘E agora? Falta um, quem é?’. Naquele calor…. A gente ficava olhando, eles estavam bem, digamos assim, lesionados para identificar ‘tá faltando fulano de tal’. Não dava pra falar isso”, relatou.
O coronel também mencionou que o piloto e o copiloto estavam entre as vítimas com menos danos visíveis.
“Quem ficou menos lesionado foi o piloto e o copiloto. Praticamente, eram os únicos que estavam inteiros”, afirmou.
A busca pelo último corpo ganhou um novo rumo após a ajuda de um morador da região.
“E chegou um senhor em mim e falou ‘eu vi, há uns 200 metros daqui, um braço’. Falei ‘senhor, não comenta com ninguém, vou chamar mais uns bombeiros aqui e vamos pra lá’. Chamei uns três bombeiros, ele saiu e nós saímos atrás”, contou.
Ao chegar ao local indicado, os bombeiros encontraram mais do que imaginavam inicialmente.
“Quando chegamos lá, vi o braço e a vegetação cobrindo na altura do ombro. Então, dava a impressão que seria só o braço. Quando fui puxar, achando que era uma coisa mais leve, vi que não era só o braço. Era o corpo todo. E ali achamos o último”, declarou.
No final do relato, Melo explicou como ocorreu a identificação da vítima.
“Ele tinha o tronco e um braço só, não tinha os outros membros e tava de bermuda. Aí, um parente falou que era o vocalista [Dinho]. Ele foi reconhecido por um tio, que foi com a gente lá. As equipes continuaram e acredito que os outros fragmentos [do corpo] foram encontrados”, concluiu.

Mariana Morais
Mariana Morais
Mariana Morais
Mariana Morais
Mariana Morais
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