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STJ sob nova administração

STJ terá nova administração para o biênio 2026-2028, enquanto ferramentas de investigação patrimonial ganham escala e julgamentos no TSE e no TRF-6 movimentam temas eleitorais e direitos quilombolas

Ministros Luis Felipe Salomão e Mauro Campbell Marques -  (crédito: Divulgação)
Ministros Luis Felipe Salomão e Mauro Campbell Marques - (crédito: Divulgação)

A nova administração do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para o biênio 2026-2028 toma posse na próxima quarta-feira (19/8). O ministro Luis Felipe Salomão assume como presidente, e o ministro Mauro Campbell Marques, como vice-presidente. A solenidade será às 18h, na sala do Pleno da Corte. Atual vice-presidente, Salomão assume a presidência sucedendo o ministro

Herman Benjamin. O ministro Benedito Gonçalves será o novo corregedor-geral da Justiça.

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Ferramenta da Justiça localiza patrimônio

O Sistema Nacional de Investigação Patrimonial e Recuperação de Ativos (Sniper) registrou, no último ano, mais de meio milhão de pesquisas, feitas por 24.271 magistradas, magistrados, servidoras e servidores da Justiça. Desenvolvida pelo Programa Justiça 4.0, a ferramenta localiza bens e ativos vinculados a pessoas físicas e jurídicas envolvidas em processos judiciais. O sistema reduz o tempo para a obtenção de informações patrimoniais e aumenta a efetividade do cumprimento de decisões judiciais e da recuperação de ativos.

Agilidade para buscar informações

Por meio do cruzamento de informações societárias, patrimoniais e financeiras, a ferramenta identifica vínculos entre pessoas físicas e jurídicas, permitindo identificar grupos econômicos e relações entre as partes. Dessa forma, buscas que exigiam consultas em diferentes sistemas passam a ser realizadas de forma centralizada, reduzindo etapas, poupando tempo de trabalho e aumentando a efetividade das execuções fiscais. "A investigação patrimonial sempre exigiu uma atuação operacional complexa, o que tornava esse trabalho mais demorado. O Sniper automatiza parte significativa desse processo, resolvendo a demanda em minutos e proporcionando mais agilidade, eficiência e apoio à tomada de decisões", explica o juiz Dorotheo Barbosa Neto, auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e coordenador do Programa Justiça 4.0.

 Eixo Capital. Juiz Dorotheo Barbosa Neto, auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e coordenador do Programa Justiça 4.0.
Eixo Capital. Juiz Dorotheo Barbosa Neto, auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e coordenador do Programa Justiça 4.0. (foto: Redes sociais)

Falsidade

O uso de diploma escolar falso para efeito de registro de candidatura configura abuso de poder, punível em ação de investigação judicial eleitoral (Aije). Com esse entendimento, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu cassar o registro de Moaci do Licuri (PT), vereador eleito de Pé de Serra (BA) nas eleições de 2024.

Julgamento no TRF-6 pode definir futuro de território quilombola

Um julgamento marcado para hoje, na 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), em Belo Horizonte, pode estabelecer um importante precedente para processos de reconhecimento e titulação de territórios quilombolas no país. Em discussão está o território tradicional da Comunidade Quilombola de Machadinho, em Paracatu, no noroeste de Minas Gerais. A disputa judicial se arrasta desde 2009. A Associação Quilombola do Machadinho (AQUIMA), admitida no processo como amicus curiae, contesta a sentença de primeira instância, proferida em 2014, que rejeitou os pedidos relacionados ao reconhecimento do território. O caso ganhou relevância porque, segundo a associação, a decisão de primeira instância utilizou como fundamento a necessidade de comprovação de um histórico de resistência armada ou de fuga de pessoas escravizadas para caracterizar a comunidade como quilombola. A argumentação é considerada incompatível com o entendimento posteriormente consolidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

DJ quilombolas terras
DJ quilombolas terras (foto: kleber)

O que o TRF-6 terá de decidir

A controvérsia que chega à 3ª Turma do TRF-6 ultrapassa a situação específica da comunidade de Machadinho. O julgamento poderá definir como devem ser analisados, pelo Judiciário, estudos técnicos realizados por órgãos especializados da administração pública quando estão em discussão direitos territoriais de comunidades quilombolas. A principal questão é saber se o Judiciário pode desconsiderar a identificação realizada pelos órgãos públicos responsáveis pelo procedimento e exigir critérios históricos mais restritivos para reconhecer a condição quilombola.

Uma decisão com potencial de repercussão nacional

O julgamento desta quinta-feira ocorre em um momento em que a regularização de territórios tradicionais permanece entre os temas de maior sensibilidade fundiária do país. Para especialistas e entidades que acompanham a questão quilombola, uma eventual decisão do TRF-6 poderá servir de referência para outros processos nos quais comunidades aguardam há anos a conclusão de procedimentos administrativos de identificação e titulação. "A comunidade não pede privilégio. Pede que a Constituição seja cumprida e que o reconhecimento técnico da Fundação Cultural Palmares e do Incra não seja substituído por uma interpretação já rejeitada pelo Supremo. A cada ano de demora, perde-se território, memória e confiança no próprio Estado de Direito", afirma o advogado Guilherme Pereira Dolabella Bicalho, responsável pela atuação da Aquima, do escritório Barreto Dolabella Advogados.

Frase

"Precisamos enfrentar com seriedade a agenda de moralização dos gastos públicos e aprofundar as investigações de corrupção que ainda permanecem em nosso país, bem como aperfeiçoar os mecanismos de transparência e encontrar soluções públicas justas e fiscalmente sustentáveis para questões estruturais do Estado brasileiro, inclusive no que diz respeito ao regime remuneratório da magistratura, que é o que faremos com a proposição de uma lei federal de caráter nacional cuja minuta estará pronta até o final deste ano.", Edson Fachin, presidente do STF

Ministro Edson Fachin durante sessão de reabertura dos trabalhos no STF
Ministro Edson Fachin durante sessão de reabertura dos trabalhos no STF (foto: Gustavo Moreno/STF)

 


  •  Eixo Capital. Juiz Dorotheo Barbosa Neto, auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e coordenador do Programa Justiça 4.0.
    Eixo Capital. Juiz Dorotheo Barbosa Neto, auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e coordenador do Programa Justiça 4.0. Foto: Redes sociais
  • Ministro Edson Fachin durante sessão de reabertura dos trabalhos no STF
    Ministro Edson Fachin durante sessão de reabertura dos trabalhos no STF Foto: Gustavo Moreno/STF
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    DJ quilombolas terras Foto: kleber
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postado em 13/08/2026 05:00
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