
O acervo do Teatro Goldoni será transferido para o Arquivo Público do Distrito Federal, com o objetivo de preservar a rica história cênica deste importante palco. Com patrocínio da Lei Paulo Gustavo, o grupo de coordenação lançou o projeto Memória Compartilhada, que se dedicará a arquivar panfletos, reportagens, filipetas, cartazes, documentos, registros fotográficos e vídeos acumulados ao longo das últimas três décadas. A proposta inclui a digitalização desses materiais, garantindo acesso livre ao público e promovendo a difusão da arte que ocorreu nesse espaço.
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Originado nas garagens de uma residência na 705 Sul, o Núcleo de Arte e Cultura (NAC) tinha como missão criar um ambiente mais intimista tanto para o público quanto para os atores. Anos depois, a Casa d'Italia proporcionou a esse grupo de atores e atrizes um espaço para expressar sua arte, resultando no nascimento do Teatro Goldoni. Durante os mais de 30 anos de atuação, mais de 400 espetáculos foram apresentados, que chegaram ao fim em 2021 com a venda do prédio para a Terracap.
Nas décadas de 1990, 2000 e 2010, o NAC foi responsável por promover festivais, mostras, oficinas e centenas de temporadas teatrais, envolvendo artistas do Distrito Federal e de todo o Brasil nos palcos do Espaço G51 e do Teatro Goldoni. Ao Correio, Maria Carmem Souza, cenógrafa e fundadora do NAC, compartilhou histórias sobre o início do coletivo e como fez o nome do teatro ser lembrado, mesmo diante de erros frequentes na grafia. "Acredito que muitos jornalistas não conheciam o trabalho do dramaturgo italiano (Goldoni )e escreviam o nome de diversas formas, conta de maneira bem-humorada. Decidimos montar O Arlequim, servidor de dois amos para apresentar sua obra. Nunca mais erraram", revela.
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A preservação da memória do teatro em Brasília é fundamental para que novas gerações possam reconhecer sua evolução e trajetória. O acervo inclui artigos raros, como vídeos de estreias de espetáculos, a visita de Yoko Ono a Brasília em 1998, bastidores de temporadas e fotogramas e negativos cuidadosamente preservados. Para viabilizar essa iniciativa, o acervo será disponibilizado em uma plataforma de acesso aberto ao público, utilizando o Tainacan, um software livre desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Goiás e da UnB, escolhido pela sua facilidade de uso e pelo suporte da comunidade de desenvolvedores. A adequada gestão arquivística e a difusão do material proporcionarão uma base sólida para novas pesquisas sobre as Artes Cênicas no DF, além de estimular projetos de preservação da memória cultural. Maria Carmem destaca o empenho de Adalberto Scigliano, gestor e superintendente do Arquivo Público do DF, em cuidar do acervo e preservar esses documentos. "Ele possui uma visão notável e também lidera a preservação na Fundação Athos Bulcão. Dou muito crédito a ele", conclui.