Literatura

Angélica Madeira lança 'Um bandido tímido', ensaio sobre obra de Lima Barreto

O ensaio destaca a atualidade das críticas de Lima Barreto, principalmente no que diz respeito ao racismo da sociedade brasileira

A atualidade e a singularidade das obras de Lima Barreto, misturadas à vontade de contribuir à leitura crítica e 20 anos de estudos sobre o autor levaram a professora Angélica Madeira à elaboração do ensaio Um bandido tímido, que será lançado nesta quarta-feira (10/12), em evento de 18h às 21h30, no Quanto Café (103 Norte). 

O livro ressalta  o pensamento do autor carioca, que, para Madeira, tem "uma perspectiva tão crítica sobre a sociedade brasileira, a intelectualidade e o racismo, que pode ser perfeitamente considerado como um pensador do Brasil". Além disso, há o fato da obra de Lima Barreto ter perdido destaque, abafado pela "hegemonia que adquiriu a vanguarda que emergiu com a Semana de Arte Moderna de 1922", e recentemente voltado a ser valorizada pelo movimento negro.

O ensaio destaca a atualidade das críticas de Lima Barreto, principalmente no que diz respeito ao racismo da sociedade brasileira. "Ele é muito crítico em relação ao colonialismo, a nossa subserviência às grandes potências, aos intelectuais que só querem imitar a cultura estrangeira", explica Madeira. "Quanto ao racismo, talvez seja a parte mais importante da obra do Lima Barreto, porque é muito atual, e ele sofreu isso na pele, porque ele era um escritor mulato e pobre. Todos os personagens de Lima Barreto, sem exceção, prestam atenção na questão da cor da pele e o que isso acarreta do ponto de vista das relações sociais", diz.

Um bandido tímido busca esclarecer pontos polêmicos sobre a obra e vida de Lima Barreto. Entre eles, que o autor não pertenceria ao modernismo. "O meu ensaio tenta mostrar a atualidade do autor Lima Barreto e, principalmente, explorar as técnicas narrativas que ele utiliza, que são muito atuais para o tempo dele, muito modernas", conta Madeira. "Ele tenta captar a expressão das ruas,  em crônicas muito rápidas, captando o movimento, personagens que são esboçados, enredos que ficam um pouco esgarçados, questões muito modernas que vão aparecer em escritores da época", finaliza.

Outra polêmica que o ensaio trata é o motivo de Lima Barreto ser, por vezes, considerado conservador, apesar da radicalidade para tratar de temas sociais. Uma dessas contradições é a forma como o autor abordou o surgimento do movimento feminista à época. "Ele detestava tudo que vinha das elites. O movimento feminista, no início, era muito elitizado. Elas estavam reivindicando o voto feminino, a aceitação no trabalho do serviço público e afins. Mas ele via as mulheres pobres, as mulheres do subúrbio e dizia, 'olha, essas aí não vão usufruir de nada desse movimento que está surgindo das elites'", exemplifica Angélica. 


Lançamento de Um bandido tímido

De Angélica Madeira. Nesta quarta-feira (10/12), de 18h às 21h30, no Quanto Café (103 Norte). 

*Estagiária sob a supervisão de Severino Francisco

 


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