
Há 25 anos, o teatro e a união com os colegas Vladimir Brichta e Lázaro Ramos, na exitosa peça de João Falcão A máquina, mudaram para sempre o curso do ator Wagner Moura, hoje, um privilegiado morador de Los Angeles, ao lado da fotógrafa e esposa Sandra Delgado, e do trio de filhos: Bem, Salvador e José. Foi pelas mãos de Walter Salles, o mesmo de Ainda estou aqui, que o cinema sorriu para Wagner, que teve personagem em Abril despedaçado (2001), estrelado por Rodrigo Santoro.
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Ainda que celebrado no teatro, pelas elogiadas participações em Hamlet (2008) e Um julgamento — Depois do inimigo do povo, adaptação para Henrik Ibsen, em 2025, é pelo cinema que Wagner se estabeleceu. Claro que a tevê serviu como veículo de popularidade, com a participação dele em Paraíso tropical (2007), na pele do cafajeste Olavo.
Cada vez mais, uma figura internacionalizada, ele nunca cansa de reiterar o posto de "ator brasileiro". Intérprete de filmes de sucesso de Cacá Diegues (Deus é brasileiro), Jorge Furtado (Saneamento básico, o filme), Heitor Dhalia (Serra Pelada) e Karim Aïnouz (Praia do Futuro), Wagner Moura teve uma guinada de vida, a partir da interpretação do atormentado Capitão Nascimento, no filme que venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim, em 2007, Tropa de Elite. Ritos de violência também cercaram dois estrondosos títulos com participação de Wagner: Carandiru (2003), que levou mais de 4,6 milhões de brasileiros para os cinemas, e Tropa de Elite: O inimigo agora é outro, que arrebatou público superior a 11 milhões de espectadores.
Até a conquista de estar no internacional Guerra civil, filme contestador de Alex Garland para Estados com comandos questionáveis, e que rendeu mais de US$ 127 milhões em bilheteria, Wagner desbravou telas com Sergio (de Greg Barker), detido na figura do diplomata Sérgio Vieira de Mello, esteve em Agente oculto, dos irmãos Anthony e Joe Russo, e ainda estrelou a fita de Olivier Assayas, Wasp Network: Rede de Espiões (2019), que trata da vida de presos políticos cubanos.
Sempre afiado em posicionamentos políticos, recentemente, em entrevista a The Hollywood Reporter, Wagner voltou a comentar do "momento muito ruim para o Brasil", entre 2018 e 2022. Amenizou o painel de descrito ao Correio, em 2021, quando assinalou que "A eleição do Bolsonaro nos reconectou com o Brasil profundo, racista, que tem história de autoritarismo e traços golpistas e elitistas", ocasião em que associou o ex-presidente a um "furúnculo".
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Escolado em viver golpistas (como o estelionatário Marcelo, de VIPs) e o vilão Wolf (para quem cedeu a voz na animação Gato de Botas 2: O último pedido), tem iluminado, na imprensa internacional, as consequências da perplexidade que o conectou politicamente ao realizador Kleber Mendonça Filho. No exterior, falou do período ultrapassado de descaso do antigo governo, junto a universidades, jornalistas e artistas. Na imprensa, relembrou da luta armada de Marighella, que ele retratou em filme (que estreou no Festival de Berlim de 2019) e foi "censurado" no Brasil, segundo ele, por meio de "cínica" rede de empecilhos para o lançamento.

Diversão e Arte
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