Cinema

Brasil no Festival de Berlim: filmes nacionais se espalham na seleção

Nos mais diversos segmentos do evento, fitas nacionais ocupam destaque, com espeço para nomes como Eliza Capai e Karen Suzane

Quatro meninas: premiado no Festival de Brasília, seguirá para Berlim  -  (crédito: Divulgação )
Quatro meninas: premiado no Festival de Brasília, seguirá para Berlim - (crédito: Divulgação )

Depois do interesse por Tropa de elite, vencedor do Urso de Ouro, em 2008, e na esteira dos prêmios no Globo de Ouro, os idealizadores do Festival de Berlim afiaram o olhar, na seleção do evento (entre 12 e 22 de fevereiro), para a tropa de nove filmes com produção nacional. "É realmente maravilhoso saber que estaremos lá, com outros sete filmes em longa. O Gabriel Mascaro (premiado por O último azul, no ano passado) foi muito generoso comigo, ele viu o corte do meu filme (Isabel), me deu dicas de como melhorar o filme. Ele tem uma uma visão mais ampla do mercado internacional, dos festivais. Mascaro me aconselhou no modo de como a gente ia comunicar para o público maior", explica o cineasta (antigo crítico e programador) Gabe Klinger.

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Depois de filmar em Portugal e nos Estados Unidos, Klinger, pela primeira vez, filmou no Brasil, e com a atriz Marina Person (filha do consagrado Luiz Sergio Person). "Vejo o cinema como uma arte global. Todos nos alimentamos do cinema internacional, criando uma linguagem universal. Seguir uma linha de abertura e diálogo internacional é norte importante, como feito pelo Kleber Mendonça Filho (de O agente secreto) e Walter Salles (de Ainda estou aqui)", pontua o diretor de Isabel.

O impacto na seleção alemã foi enorme para a diretora Karen Suzane, de Quatro meninas. "Você, uma mulher negra no Brasil, selecionada para um festival europeu, e com nossa temática?! Tratamos (no filme) da época em que o continente europeu utilizava estratégia de colonização e se amparavam na escravidão, a fim de ter lucro. É interessante entender o quanto isso traz uma perspectiva enriquecedora: nosso filme, em um festival europeu, questionando uma postura continental", demarca a diretora.

Antenada na criação de um imaginário inspirador — "no qual a gente viva em um mundo mais empático e pacífico", Eliza Capai, outra selecionada, se aprofundou numa aprendizagem junto a crianças, no eco das filmagens de A fabulosa máquina do tempo. "Fiz exercício que espero que o público faça: trazer olhar de curiosidade e respeito para nova geração, que tem entendido o mundo. Como jovens notam o machismo estrutural e as relações de gênero? Tudo me trouxe um frescor sobre como vejo a vida, e uma forma de esperança nos caminhos tão complexos de nossa humanidade", observa Capai.

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Na corrente de transformação do mundo, cultivada por Eliza Capai, via cinema, de "frescor, entendimento, diálogo e vivência", estarão, em Berlim, outras produções com toque nacional: Feito pipa (de Allan Deberton), Fiz um foguete imaginando que você vinha (de Janaína Marques), a animação Papaya (de Priscilla Kellen), Se eu fosse vivo... vivia (André Novais Oliveira) e o curta Floresta do fim do mundo, além da coprodução Narciso (de Marcelo Martinesse).

 

 

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postado em 20/01/2026 16:18 / atualizado em 20/01/2026 16:33
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