
Vitória Strada, atriz e ex-BBB - (crédito: Tauana Sofia)
Vitória Strada inicia 2026 em uma das fases mais densas e plurais de sua trajetória artística. A atriz estreia hoje o telefilme inédito Caju, meu amigo, na Tela Quente da TV Globo, com exibição simultânea posterior no Globoplay. A produção marca seu retorno à dramaturgia após a participação no Big Brother Brasil no ano passado e carrega um peso emocional particular: a história aborda as enchentes no Rio Grande do Sul, tragédia recente que mobilizou o país e que atravessa diretamente a vida da atriz, que é gaúcha.
“Foi um processo muito atravessado pela emoção”, afirma Vitória. “Essa tragédia não é algo distante para mim — ela toca a minha origem, a minha família, a minha memória afetiva.” Ciente da responsabilidade de representar uma dor coletiva ainda aberta, a atriz de 29 anos conta que o principal compromisso foi o cuidado. “Não estamos falando de ficção pura, mas de uma dor real, coletiva, ainda muito recente. Meu compromisso foi honrar essas histórias, sem romantizar o sofrimento, mas trazendo humanidade, dignidade e empatia.”
O telefilme também apresentou um desafio inédito em sua carreira: contracenar com um cachorro, o Caju do título. A experiência, segundo Vitória, exigiu outro tipo de entrega. “O Caju não atua no sentido técnico, ele reage ao que está sendo vivido ali, naquele momento. Isso me colocou em um lugar muito verdadeiro, quase instintivo”, explica a atriz, reforçando que trabalhar com um animal demandou concentração, paciência e uma sintonia fina com toda a equipe: “Foi desafiador, mas também profundamente emocionante”.
Vulnerabilidade exposta
A escolha por um projeto socialmente sensível dialoga com um momento de maior alinhamento entre vida pessoal e carreira, algo que Vitória identifica como consequência direta de sua passagem pelo BBB 25, do qual sagrou-se quarta colocada. “O programa me tirou de qualquer lugar de controle e me colocou inteira, com minhas vulnerabilidades”, reflete. Para ela, a experiência ampliou a forma como o público a enxerga. “Hoje, sinto que sou vista de maneira mais completa, sem rótulos.” Essa exposição, segundo a atriz, reverberou diretamente nas decisões profissionais: “Passei a escolher papéis que dialogam mais com quem eu sou hoje, com histórias que tenham sentido e que me desafiem de verdade”.
Durante o confinamento, no qual entrou ao lado do amigo Mateus Pires, Vitória também falou abertamente sobre saúde mental, tema que continua presente em suas redes sociais. Para ela, manter essa conversa em evidência é quase uma responsabilidade. “O meio artístico ainda carrega muitas idealizações. Existe uma cobrança constante por performance, perfeição e sucesso, e isso pode ser muito adoecedor.” Ao dividir suas fragilidades, ela acredita contribuir para uma visão mais humana da profissão. “Se a minha fala alcança alguém e faz essa pessoa se sentir menos sozinha, já faz todo sentido.”
A atriz reconhece que saiu transformada do reality. “Saí mais consciente de mim, dos meus limites e das minhas potências. Aprendi a me escutar mais e a não me violentar em nome de expectativas externas.” Essa mudança se reflete, segundo ela, em escolhas mais coerentes com seus valores e com o tipo de artista que deseja ser.
Lançamentos
Além de Caju, meu amigo, 2026 reserva uma sequência de lançamentos que reforçam essa fase de expansão. Vitória estreia o filme Covil, no qual atua e também assina a coprodução ao lado de Daniel Rocha. O desejo de participar mais profundamente do processo criativo foi o que a motivou a dar esse passo além da atuação. “Sempre fui muito curiosa sobre tudo o que envolve a construção de um projeto”, conta. “A coprodução veio como um desejo natural de aprofundar esse olhar.” Sobre a parceria com Daniel, ela destaca a confiança e o diálogo. “Existe um entendimento artístico muito grande entre a gente e toda a equipe.”
Paralelamente, a atriz integra o elenco da novela vertical A boa, a má e o marido gigolô, na qual vive personagens gêmeas, um desafio técnico que exige precisão e controle emocional. “O maior desafio é não deixar que elas se misturem emocionalmente”, explica. Vitória conta que experiências anteriores, como a novela Espelho da vida (2018), ajudaram a prepará-la para esse tipo de construção. “Busquei criar pequenas âncoras internas — gestos, posturas, ritmos — que me ajudam a acessar cada uma com clareza”, explica ela, que também protagonizou as novelas Tempo de amar (2017) e Salve-se quem puder (2020).
Guiada pela verdade
Sem se prender a perfis específicos de personagens, Vitória afirma que o que a move são boas histórias e o frio na barriga que elas provocam. “Personagens ambíguas, complexas, que não caibam em rótulos fáceis e que tratem de assuntos importantes sempre me interessam.” Ao olhar para a própria trajetória, da estreia na tevê à experiência no BBB, ela resume o que hoje guia suas escolhas em uma palavra: “verdade”. “Tento guiar minhas decisões pela honestidade comigo mesma e com as histórias que conto. Quero seguir em projetos que façam sentido, que tenham propósito e que me permitam crescer como artista e como pessoa.”
Em meio à intensidade das gravações e lançamentos, Vitória encontrou no desenho uma forma de lidar com a ansiedade e de expandir sua expressão artística. O que começou como ferramenta terapêutica acabou se transformando em collab de moda, com estampas criadas por ela. “O desenho é um lugar de silêncio e presença”, define. “Ele me conecta com o momento presente e acalma minha ansiedade.” Embora não costume desenhar nos intervalos de gravação, ela valoriza esse tempo de recolhimento em casa, longe das interferências externas.
Para a atriz, a atuação, o desenho e os trabalhos manuais são expressões de uma mesma sensibilidade. “Todas essas linguagens partem do mesmo lugar: da necessidade de me expressar, de elaborar sentimentos, de conhecer melhor a mim e ao outro.” Cada uma, diz ela, cumpre uma função diferente, mas todas se comunicam.
Saiba Mais
Por Patrick Selvatti
postado em 19/01/2026 17:09

Diversão e Arte
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