TELEVISÃO

Entre o sagrado e o humano, Rômulo Weber vive desafios no audiovisual

Ator e músico de 35 anos, Rômulo Weber assume primeiro protagonista na RecordTV, após dar vida a ícone da MPB Márcio Borges no teatro, emissário de Deus em "A vida de Jó" e marginal urbano em "Até onde ele vai". "Gosto dos ambíguos", disse

Rômulo Weber é ator e músico -  (crédito: Rael Barja)
Rômulo Weber é ator e músico - (crédito: Rael Barja)

Com uma trajetória que vai do teatro musical de vanguarda aos grandes épicos bíblicos da televisão, o ator e músico Rômulo Weber vive um momento-chave na carreira: seu primeiro protagonista na TV. Na nova versão brasileira de Ben-Hur, da Record TV, ele dá vida a Messala, o antagonista central da trama, ao lado dos colegas Vinicius Redd e Ingrid Conte. "É uma sensação de estar sendo reconhecido e de estar no caminho certo", afirma Weber, em entrevista exclusiva. "Todo personagem tem um grande peso, mas alguns nos tocam de forma diferenciada. O Messala, certamente, já demonstrou ser um desses", apostou.

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Formado pela tradicional Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), Rômulo construiu uma carreira plural. No teatro, destacou-se em musicais como Deixa a dor por minha conta (2017) e Tra-la-lá (2018), mas foi ao encarnar o poeta e compositor Márcio Borges em Clube da Esquina - Os sonhos não envelhecem (2022) que entregou um trabalho de grande repercussão. O desafio, conta, era imenso. "A gente fica muito preocupado com a recepção do público ao ver alguém representando um ídolo. É uma grande responsabilidade mexer com a memória afetiva das pessoas", reflete o carioca de 35 anos. "Mas, sem sombra de dúvidas, o que mais me deixou apreensivo foi pensar na reação do Marcinho."

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Recentemente, expandiu seus horizontes no palco ao integrar o elenco de Traidor, espetáculo experimental protagonizado por Marco Nanini, com texto e direção de Gerald Thomas. "Estar com nomes como Nanini e Gerald Thomas é um sonho para qualquer ator. É um sinal de que os frutos estão sendo colhidos", diz ele, sobre a experiência que considerou um aprendizado constante. E completa: "O espetáculo é fora da curva, mesmo".

Rômulo Weber, ator e músico
Rômulo Weber, ator e músico (foto: Rael Barja)

"Mero detalhe"

Na televisão, Weber já passou por papéis diversos: foi o Anjo Gabriel em A vida de Jó, o antagonista Múmia em Até onde ele vai, e figuras bíblicas em Jesus e Reis. "Eu gosto muito dos personagens ambíguos, dualidade é algo muito interessante e, particularmente, não acredito em nada absoluto. Quanto ao fato de interpretar vilão ou herói, considero mero detalhe, desde que essa dualidade esteja presente", argumenta o ator.

Agora, como Messala, ele enfrenta o desafio de evitar clichês ao construir um antagonista. "Acredito que, quando conseguimos fazer um estudo profundo e humanizado do personagem, conseguimos fugir dos clichês", explica. "Entender causa e consequência das coisas que aconteceram na vida dele faz com que tenhamos maior compreensão dos seus objetivos."

Essa atração por narrativas históricas e bíblicas, segundo ele, vem de um interesse genuíno. "A parte histórica, com certeza, é uma das coisas que mais me atrai. Tanto em relação ao conteúdo quanto no que diz respeito à estética. Sempre adorei história, e reestudar a história, estando dentro dela, é uma experiência única", pondera. 

  • Rômulo Weber como Márcio Borges em
    Rômulo Weber como Márcio Borges em "Clube da Esquina" Reprodução
  • Rômulo Weber como Múmia em
    Rômulo Weber como Múmia em "Até onde ele vai" Reprodução
  • Rômulo Weber como Anjo Gabriel em
    Rômulo Weber como Anjo Gabriel em "A vida de Jó" Reprodução

Raízes fortes

A música é um pilar fundamental na vida de Rômulo Weber. Ele foi vocalista da banda Guaporés, que lançou o álbum Normal demais, em 2019. "A banda foi o que me manteve vivo como artista e até como pessoa", revela, lembrando que o projeto surgiu quando ele ainda era um estudante de direito infeliz. Apesar da banda ter sido "engolida pela melancolia da pandemia" em 2020, novos ventos musicais sopram no horizonte. "Existe algo bem embrionário, algo que ainda tem muito pra ser desenvolvido, mas com uma estética bem diferente do projeto anterior, mais voltado para o samba-rock", adianta.

Se a arte molda sua profissão, é a paternidade que redefine sua essência. Pai de Ayo, de 5 anos, Weber não hesita ao afirmar que ser pai "influencia em absolutamente tudo". "Meu filho é nada menos que a personificação do meu maior sonho. Ayo me fez crescer muito, amadurecer em todos os aspectos", comemora.

Rômulo Weber, ator e músico
Rômulo Weber, ator e músico (foto: Rael Barja)

Presente e futuro

Atualmente, Weber considera Messala o papel mais complexo que já enfrentou. "Pela profundidade, pelas camadas apresentadas, pela dualidade, acredito que o Messala tem se mostrado extremamente complexo." Seu processo de preparação, diz ele, mantém uma raiz comum, ainda que se adapte a cada projeto. "O ator é um camaleão, e tem que se moldar de acordo com o ambiente em que se insere", defende.

Olhando para o futuro, seu principal conselho para si mesmo do passado resume sua jornada: "Estude, tenha resiliência e inteligência emocional". Seu sonho profissional é continuar furando as bolhas do meio artístico. "O objetivo é firmar o nome no cenário artístico nacional", conclui.

 


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postado em 01/02/2026 17:13
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