Raissa Xavier atravessa um momento de afirmação rara na carreira — daqueles em que o percurso pessoal, artístico e simbólico parecem se alinhar com precisão. A atriz baiana acaba de ser confirmada no elenco de A nobreza do amor, próxima novela das seis da TV Globo, com estreia prevista para março de 2026. Escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Jr., a trama substituirá Êta mundo melhor e promete uma narrativa ambiciosa, que cruza política, romance e identidade cultural em um recorte histórico potente.
Ainda sem o nome de sua personagem divulgado, Raissa integra uma história que começa em Batanga, um reino africano fictício, e se desdobra no Pernambuco da década de 1920. A novela aposta em uma estética forte e em um discurso que reposiciona o olhar sobre poder, pertencimento e representatividade. Sua escalação reforça o compromisso da produção com um elenco diverso e com artistas que vêm se destacando por trajetórias consistentes e escolhas autorais.
"Essa é a minha primeira oportunidade de fazer uma novela do início ao fim. E o projeto chega com um significado ainda maior por trazer tanta identidade, cultura e valorização do povo preto e da comunidade nordestina, raízes que carrego comigo e que faço questão de defender por onde passo", celebra a atriz. Para ela, a produção também representa um desafio artístico: "Vou mostrar uma faceta totalmente diferente das personagens que o público já viu na televisão, o que tem sido delicioso e muito estimulante."
Na visão da atriz, um dos grandes trunfos da novela está na centralidade de narrativas historicamente invisibilizadas. "O mais interessante é o protagonismo dado às pessoas que fazem esse Brasil diverso. Ter, pela primeira vez, uma princesa negra no centro dessa história é algo muito potente", diz. Ela também ressalta o papel simbólico do Nordeste, representado pela fictícia Barro Preto, no Rio Grande do Norte. "O território assume quase o papel de personagem. É onde toda essa magia acontece."
A empolgação se estende ao encontro com a equipe. Raissa trabalha pela terceira vez com o diretor Gustavo Fernandez e destaca o cuidado da direção e a sensibilidade do texto. “Fazer parte de um projeto conduzido por uma equipe de roteiro tão comprometida, ao lado de um elenco de peso, torna essa experiência ainda mais inspiradora”, afirma.
Salvador e Brasília
A chegada à novela acontece em meio a uma fase de intensa produtividade. No cinema nacional, Raissa acaba de filmar Um tio quase perfeito 3, sob direção de Pedro Antônio, e Justino, longa dirigido por José Eduardo Belmonte, gravado em Salvador — um retorno carregado de afeto. "Sempre peço aos meus guias para trabalhar na minha terra. Trabalhar em casa tem outra atmosfera, me sinto mais conectada, livre e potente enquanto artista", confessa.
Em Justino, a atriz interpreta Jussara, personagem densa e cheia de contradições, inspirada em uma história real dos anos 1990. "É um filme sobre fé e redescoberta do amor próprio", resume. A preparação foi intensa e cuidadosa. "Pesquisei muito sobre a comunidade evangélica, sempre com o compromisso de retratar essa realidade sem estereótipos. A Bíblia foi minha companheira fiel."
Sobre Belmonte, não economiza elogios: "Ele é um diretor sensível, aberto ao diálogo e raro por dedicar tempo ao ator. Me deu liberdade para brincar com as possibilidades da personagem — e eu me diverti."
Na televisão, Raissa também integrou o elenco de Justiça 2, experiência que ela define como transformadora. "É uma das melhores séries do mercado nacional em termos de roteiro. Contar histórias inspiradas em fatos reais, que escancaram as injustiças do nosso país, é difícil, mas extremamente necessário." Gravar em Brasília adicionou uma camada simbólica ao trabalho. "A capital onde a Justiça deveria ser prioridade dialoga diretamente com o que a série propõe discutir."
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