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Atriz de "Três Graças" fala da alegria de estar em cena e do amor pelo carnaval

Atriz e produtora carioca, Paula Frascari defende a prostituta Morena, que vive em "Três Graças", com a mesma paixão com que abraça o carnaval, tema que do documentário que produziu sobre a carnavalesca Rosa Magalhães

Paula Frascari, atriz -  (crédito: Fred Borba)
Paula Frascari, atriz - (crédito: Fred Borba)

No ar no horário nobre da TV Globo, Paula Frascari vive um momento de rara convergência entre reconhecimento artístico, maturidade pessoal e engajamento cultural. Em Três Graças, novela das 21h, ela dá vida a Morena, uma garota de programa que, longe dos estereótipos, se impõe como uma das personagens mais humanas da trama — responsável por revelar novas camadas emocionais do detetive protagonista vivido por Romulo Estrela e por tensionar, com delicadeza, os limites morais da narrativa.

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É nesse contexto que a atriz e produtora carioca foi convidada para protagonizar um editorial especial de beleza e moda de Carnaval. Um convite que dialoga diretamente com sua trajetória, marcada pela circulação entre universos distintos, pela escuta atenta das pessoas e por uma relação profunda com a cultura popular. “Eu observo muito o ser humano. Eu circulo por vários universos porque acho que isso faz a gente conhecer todo tipo de gente e respeitar as desigualdades. Eu gosto de gente. O ser humano me encanta nas suas fragilidades. E essa minha busca é eterna”, diz Paula.

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Essa disposição para atravessar fronteiras sociais, afetivas e simbólicas se reflete diretamente na construção de Morena. Para a atriz, interpretar uma profissional do sexo exige mais do que preparo técnico: exige empatia, pesquisa e responsabilidade. “O trabalho da garota de programa é muito mais intenso do que se imagina. São muitas camadas. É muita luta”, afirma.

A consciência social que permeia sua atuação tem raízes na própria história. Filha de professores universitários, criada na zona sul do Rio de Janeiro, Paula reconhece os privilégios que teve, mas não os romantiza. “Eu tive bolsa nas duas faculdades de artes cênicas e cinema. Mas meus pais sempre me ensinaram a correr atrás. Trabalhei em loja, restaurante, evento. Eu sou correria”, argumenta.

Essa ética do esforço se transformou em método de vida. “O artista tem um investimento eterno. Estudar, ler, pesquisar, ver teatro, cinema, exposições. Tudo faz parte. E as dores também. As dores são o maior material humano que temos.” Para ela, não há espaço para acomodação: “A gente tem que sair da bolha pra evoluir. Sempre fui ensinada assim”.

Duas divas

Antes de conquistar o grande público na televisão, Paula construiu uma trajetória sólida no teatro e em projetos autorais. Um dos momentos mais emblemáticos foi quando interpretou Marília Pêra e Susana Vieira em cena — duas figuras centrais da história das artes cênicas brasileiras. “Duas divas. Marília do teatro e Susana da televisão. Fico muito honrada. Teve um peso”, orgulha-se a atriz, que viveu a personagem de Marília em Pé na cova e de Susana duas vezes: em Os dias eram assim e Terra e paixão.

O impacto foi imediato. “As pessoas passam a te enxergar com mais respeito e admiração”, observa. Para ela, o legado dessas artistas vai além da fama. “Quem ama Marília Pêra entende o que é ser um monstro sagrado. Isso falta nessa geração que quer tudo pela fama. E Susana é a rainha das novelas. O folhetim faz parte da nossa identidade”, pondera.

Paula Frascari, atriz
Paula Frascari mostra make criada pelo maquiador Luiz Moreno especialmente para a atriz cair na folia (foto: Jessica Alves)

Carnavalesca

Essa defesa apaixonada da tradição artística também se manifesta na relação de Paula com o Carnaval. Muito antes do editorial de moda, a festa já ocupava um lugar central em sua vida. Ela é produtora do documentário Rosa – A narradora de outros Brasis, sobre a carnavalesca Rosa Magalhães, dirigido por Valmir Moratelli e Liberio Nogueira. No projeto, atuou como produtora e supervisora de edição, imprimindo um olhar sensível à construção da memória da artista.

Lançado em 2023 na Mostra Inéditos do Festival do Rio, o filme conquistou prêmios de Melhor Longa Documentário nos festivais de Vassouras, São Bernardo e Paraty, circulou por diversos eventos e hoje está disponível no Canal Brasil e no Prime Video. Paula também atuou como mediadora de debates no Rio Market, consolidando sua presença nos bastidores do audiovisual.

Em 2026, ano em que o Acadêmicos do Salgueiro homenageia Rosa Magalhães, ela deve desfilar no carro dedicado aos amigos da carnavalesca — um gesto que reafirma sua ligação afetiva e artística com a maior manifestação cultural do país. “O carnaval é o maior espetáculo da terra”, define. “É território, identidade, respeito à comunidade. Durante muito tempo, a cultura popular foi considerada menor. Mas o carnaval é rico. É a nossa festa.”

Para Paula, a avenida é um espaço de afirmação coletiva. “É onde a comunidade mostra o seu talento, a sua forma de se comunicar. Somos muitos. E somos lindos”, diz. Em tom quase pedagógico, ela defende: “A gente precisa valorizar o nosso jardim. Rosa era nossa mestra. Por mais rosas na avenida. Deveria ser obrigatório ter carnaval nas escolas”.

A atriz fala com entusiasmo de quem vive a experiência por dentro: “Só quem vai sente a energia. É nossa história, nossa música, nossa dança, nossa arte.” E amplia o olhar para além dos desfiles. “O carnaval de rua é do povo. Já foi proibido, mas hoje é a maior representação de amor, união e liberdade. Vista sua fantasia e curta essa alegria”, conclui.

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postado em 18/02/2026 11:06
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