
Há exatos 54 anos, o cantor inglês David Bowie apresentava ao mundo, pela primeira vez, a persona de Ziggy Stardust. Acompanhado da banda Spiders from Mars, o alienígena andrógeno se tornou o símbolo do glam rock e inspirou artistas como Lady Gaga, Rita Lee e até Seu Jorge.
No início da década 1970, David Robert Jones - nome de nascença do inglês - era um cantor de visual hippie que havia emplacado a trilha sonora da primeira ida do homem à lua, com Space Oddity, de 1969. Porém, os discos The Man Who Sold The World (1970) e Hunky Dory (1971) tiveram repercussão tímida no Reino Unido e nos Estados Unidos.
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Com a carreira oscilando entre elogios da crítica musical e o selo de “artista de um hit só”, Bowie decidiu que era hora de criar um personagem novo. A mistura de influências de ficção científica, de artistas norte-americanos como Iggy Pop e Velvet Underground, e do teatro japonês deram vida à Ziggy Stardust.
A ideia era que um alien descesse ao planeta Terra com uma mensagem: a humanidade tem apenas mais cinco anos de existência. Porém, ao aterrissar, Ziggy se veria contaminado pelo excesso de sexo, drogas e fama à frente de uma banda de rock.
“Há um homem esperando no céu, ele gostaria de descer e nos encontrar, mas ele acha que vai nos deixar chocados”, diz a letra de Starman, famosa no Brasil pela versão de Astronauta de Mármore, da banda gaúcha Nenhum de Nós.
E realmente chocou. Bowie trocou os cabelos longos e visual hippie por maquiagem pesada, sobrancelhas raspadas, cabelo laranja e roupas criadas pelo designer japonês Kansai Yamamoto. O clima voz e violão dos discos anteriores deu lugar às guitarras pesadas dos Spiders from Mars, com Mick Ronson, Trevor Bolder e Mick Woodmansey.
O nome veio da junção de um anúncio de uma loja de alfaiataria que Bowie encontrou na rua, Ziggy’s Taylorshop, e de Legendary Stardust Cowboy, artista norte-americano que ajudou a criar o gênero musical psychobilly.
Ascensão e queda
A história do alien é contada do início ao fim no álbum The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders from Mars, lançado em 1972. Canções como Five Years, Moonage Daydream e Rock n Roll Suicide relatam a chegada do mensageiro de marte e sua aparente morte pelos próprios colegas de banda.
O renascimento do artista deu certo e o álbum foi um sucesso. O disco pegou carona no movimento glam rock que já fazia a cabeça do público jovem no Reino Unido, com outras bandas como T Rex e Roxy Music.
Em entrevistas, Bowie disse que os outros colegas de banda até estranharam o uso das roupas coloridas e da maquiagem que criavam o visual andrógeno do grupo, mas se convenceram após verem o sucesso que faziam entre o público feminino.
A aparição da banda no programa da BBC Top of Pops, meses após o lançamento do álbum, consolidou a “Bowiemania”, com o cantor apresentando Starman com o braço ao redor do pescoço do guitarrista Mick Ronson. Artistas dos anos 1980, como Robert Smith (The Cure) e Siouxsie Sioux (Siouxsie and the Banshees), costumavam dizer que a cena impactou a todos.
Nos palcos, Bowie misturava teatro, sexualidade ambígua e rock n' roll, deixando o público confuso sobre a identidade de Ziggy. Era um homem? Uma mulher? Um alienígena? Bissexual? Gay?
Ziggy Stardust ainda deu as caras no álbum seguinte, Aladdin Insane, que seguia a história mostrando o alienígena cada vez mais afundado na decadência humana. Porém, durante um show no London's Hammersmith Odeon, em 1973, Bowie surpreendeu até os colegas de banda ao anunciar a morte do personagem. Há relatos de fãs na platéia chorando copiosamente ao receberem a notícia devastadora.
Assim como chegou repentinamente, Ziggy Stardust também “morreu”. Poucos meses depois, Bowie adotaria uma nova banda, um novo visual e embarcaria em mais um de uma série de personagens criados durante a carreira. Ch-ch-ch-changes.
O som e o visual da persona alien continuariam a influenciar diversos artistas ao longo das décadas. Lady Gaga e Rita Lee - grandes adeptas de personagens como Ziggy - já se assumiram fãs de carteirinha dessa fase do cantor. Já Seu Jorge, gravou The Life Aquatic (2005) para o filme A Vida Marinha com Steve Zissou, de Wes Anderson. O disco com versões em português de diversas músicas presentes em The Rise and Fall rendeu elogios do próprio Bowie.
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