
A imagem de anjos com asas de penas brancas e feições delicadas, tão presente no imaginário popular, é uma construção de séculos. Ao longo da história da arte ocidental, essas figuras celestiais passaram por uma profunda transformação, refletindo as mudanças culturais, teológicas e artísticas de cada época, indo de mensageiros imponentes a protetores serenos.
Nos primeiros séculos do cristianismo, as representações de anjos eram bem diferentes. Influenciados pela arte do Império Romano, eles apareciam como jovens de aparência nobre, vestidos com túnicas brancas e, muitas vezes, sem asas. A função principal era a de mensageiro divino, e sua aparência austera buscava inspirar respeito, não necessariamente ternura.
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Durante a Idade Média, especialmente na arte bizantina, os anjos ganharam uma aura mais majestosa e divina. Representados em mosaicos dourados, suas figuras tornaram-se mais estilizadas e simbólicas, muitas vezes com asas imponentes, servindo como uma ponte entre a representação terrena inicial e a humanização que viria a seguir.
A virada do Renascimento
A grande mudança começou na transição para o Renascimento, a partir do século 14. Artistas como o italiano Giotto, um dos precursores do movimento, passaram a humanizar os seres celestiais, conferindo-lhes expressões faciais e sentimentos. Foi nesse período que as asas se tornaram um elemento quase obrigatório, simbolizando a sua natureza divina e a capacidade de transitar entre o céu e a terra.
Nessa mesma época, surgiram os “putti”, anjos com aparência de crianças pequenas e bochechudas, frequentemente retratados em afrescos e pinturas. Essa representação, inspirada no deus romano Cupido, adicionou um toque de inocência e leveza à iconografia religiosa, popularizando-se rapidamente por toda a Europa.
O drama e a paixão do Barroco
O período barroco, entre os séculos 17 e 18, injetou emoção e movimento na arte. Os anjos deixaram de ser apenas figuras contemplativas e passaram a ser protagonistas de cenas dramáticas. Artistas como Caravaggio e Bernini criaram figuras cheias de paixão, com corpos fortes e poses teatrais.
Essa abordagem servia ao propósito da Contra-Reforma, que usava a arte para despertar a devoção e impressionar os fiéis. As esculturas barrocas, com suas vestes esvoaçantes e expressões intensas, buscavam transmitir a grandiosidade e o poder do divino de uma forma que o espectador pudesse sentir.
A partir do século 19, com o Romantismo, a figura do anjo tornou-se mais suave e pessoal. A ideia do anjo da guarda, um protetor individual, ganhou força, influenciando representações mais serenas e próximas do humano que persistem até hoje, refletidas em diversas culturas, crenças e até na cultura popular.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

Diversão e Arte
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