Isaac Belfort celebra seu novo momento na carreira com a chegada do novo ano. O ator está no elenco de Ópera do malandro, musical com direção de Jorge Farjalla, que faz temporada no Teatro Renault, em São Paulo, no papel de Barrabás.
O espetáculo traça a história de Max Navalha (José Loreto), um contrabandista bem-sucedido, que se casa às escondidas com Teresinha (Carol Costa), filha de donos de uma rede de bordéis e aspirantes à alta sociedade que, enfurecidos com o casamento, planejam um golpe contra o malandro. Em uma festa à brasilidade, à cultura popular e o folclore, o musical celebrará a umbanda e o povo da rua para contar a história de um texto que marcou uma geração e que se consagra até os dias atuais como um marco no teatro musical brasileiro.
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Isaac faz Barrabás, braço direito de Max. “É como se fosse o líder dos capangas do covil, e é trocado pelo Max quando Teresinha chega e assume o poder dos negócios. Barrabás se sente extremamente traído pelo seu amigo e vira “casaca”, porque ele vai pra polícia e vira um inspetor logo depois de ser demitido por Teresinha”, conta ele, que divide cena, ainda, com Amaury Lorenzo, Totia Meireles e Ernani Moraes.
Cultura e história afro
O processo de audições foi dividido em etapas de dança com a coreógrafa Leilane Teles e seu assistente Tiago Dias, depois canto com o diretor musical Gui Leal, e atuação com o nosso diretor Jorge Farjalla.
“Desde a audição, ele perguntou o porquê eu gostaria de fazer o espetáculo, e eu disse que fazer Ópera do malandro é muito mais do que qualquer personagem, é sobre fazer a obra e falar sobre nossa cultura e nossa história. Então foi muito simbólica essa audição, porque a gente se sentiu acolhido desde o primeiro momento”, explica.
O espetáculo se inspira no não-naturalismo e um visagismo característico que ajudam a composição da expressão e identidade dos personagens. Para a composição de Barrabás, ele se baseou no corpo de um galo, inspirado tanto no texto quanto no figurino.
“Tenho um chapéu com penas de rabo de galo, então pensei: ‘Cara, ele é um grande galo’. Comecei a pesquisar vídeos de como um galo anda, como um galo observa as coisas, qual a postura, e humanizar esse galo. Além de contar com a equipe de criação do espetáculo, tive auxílio da Dani Calicchio (assistente de direção do Farjalla) e principalmente do Fábio Enriquez, artista que sou completamente apaixonado e fã pra mim foi uma honra ter esse apoio na construção do Barrabás”, conta.
O ator ainda destaca o trabalho junto ao elenco de grandes talentos e de toda a equipe de produção.
“Queria destacar que estou trabalhando com todas as minhas referências de vida, desde técnica, stages, equipe criativa e um elenco de artistas que pra mim moldaram minha jornada artística, admiro cada um, já acompanhava todos, então estou nas nuvens ao lado das minhas referências. Isso sim pra mim é honra”, reflete.
Montagem feminina
Em 2023, Isaac fez parte da produção do CEFTEM, com direção de Victor Maia, foi uma prática de montagem, que ganhou o título de Ópera das malandras, mas com a mesma história, feito apenas por mulheres.
“Quando passei para esse novo Ópera do malandro, eu fiquei muito feliz porque eu já conheci as músicas e já era apaixonado pela obra há muito tempo, antes mesmo de a produzir. Eu fiquei muito realizado também de ver como a vida faz esse movimento: eu era produtor do espetáculo, trabalhando no backstage, e hoje eu estou como Barrabás numa montagem gigantesca no Teatro Renault. É de uma honra tremenda poder estar nessa produção nesse momento. Eu não poderia estar em um nenhum lugar melhor do que celebrando os 50 anos da obra que eu sou fã com esse elenco de artistas talentosíssimos e com uma direção maravilhosa. Estou vivendo um grande sonho”, avalia o ator.
A peça traz consigo adaptações em relação ao texto original, centradas na visão do diretor Jorge Farjalla. “Tivemos praticamente 15 dias de leitura de texto pra entender a camada do personagem, entender cada cena, o que tinha alguma fala problemática ou se tinha alguma coisa que a gente podia destrinchar pra poder criar a partir disso, um gesto, uma respiração diferente pra aquele personagem. Então essa adaptação é única, ela nunca foi feita da forma que vai ser apresentada, então acho que essa é a grande graça dessa adaptação”, conta.
Por exemplo, a montagem traz uma verdadeira ópera com elementos afro, com inserção de muitos símbolos da umbanda, há toques de várias nações, mas majoritariamente referências dos ritos da umbanda, fruto do trabalho do diretor musical Gui Leal, junto com uma equipe que conta com os arranjadores Roniel de Souza e Daniel Alfaro, que transformaram as músicas MPB do Chico Buarque em uma grande gira. “Fico muito feliz de cantar os arranjos dele, de ouvir os arranjos musicais da orquestra porque é um deleite ouvir um trabalho tão bem feito e com uma musicalidade mais brasileira do que nunca, você pode esperar uma musicalidade muito brasileira com muito axé”, complementa.
Após a temporada do musical, Isaac Belfort anunciará os protagonistas de Portela, espetáculo do qual é idealizador e produtor, além de ator, que homenageia o centenário da Portela, além de retomar a turnê de Benjamin, o Palhaço Negro, produção sobre a história do primeiro palhaço preto do Brasil, que já rodou o país por três anos.
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