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Ator e produtor, Lucas Domso reforça o bom momento para contar histórias

Criador carioca vivendo em Portugal, Lucas Domso inaugura nova fase com websérie e novelas verticais

Aos 41 anos, o ator, roteirista e diretor carioca Lucas Domso vive um momento de virada na carreira. Dividindo-se entre Brasil e Portugal, o artista estreou, em seu canal no YouTube, a websérie T1 – Contrato vitalício, projeto que marca sua consolidação como criador audiovisual, assinando simultaneamente direção e roteiro.

A produção chega ao público em um momento de expansão artística. Em paralelo ao lançamento, Domso  iniciou a pré-produção de sua nova empreitada: a novela vertical O último Dom Juan, a primeira realizada no formato em solo português. O projeto, idealizado, escrito e dirigido por ele, também o traz de volta à atuação.

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Na trama, Lucas interpreta João "Piranha", homem que, após ter seu noivado destruído por uma traição, recebe o diagnóstico da chamada síndrome de Dom Juan. Em busca de recomeço, o personagem se muda para Portugal para confrontar seus padrões afetivos, revisitar sua própria masculinidade e entender as raízes de suas escolhas. Com irreverência, a novela aborda temas urgentes como machismo, movimentos contemporâneos de misoginia, vertentes associadas ao redpill e discursos de ultramasculinidade tóxica. 

Sobre a experiência de escrever e dirigir a websérie em Lisboa, Domso relata que T1 nasceu como uma produção independente, feita sem investimento financeiro direto, mas com muito apoio local. "Não é o cenário ideal, claro, mas é uma forma real de dar o primeiro passo, de ocupar espaço e colocar histórias na rua. Produzir em Lisboa me ensinou muito sobre adaptação, agilidade e sobre como é possível realizar mesmo com recursos limitados quando existe vontade de contar histórias", argumenta.

Questionado sobre a diferença entre escrever projetos longos e episódios curtos, e como se vê como autor nessa nova fase, Domso explica: "Eu me adaptei bem aos formatos curtos, e isso vem do teatro. Comecei escrevendo esquetes, onde tudo precisa ser direto. Mesmo no teatro, onde há mais tempo, eu já penso em cenas curtas, com começo, meio e fim muito claros. Isso facilitou bastante minha transição".

O criador afirma que, hoje, enxerga-se como um autor que entende o ritmo do presente, mas sem abrir mão de construção dramática, conflito e personagem. "O formato muda, mas a base da dramaturgia continua sendo a mesma", defende.

Produção contínua

O ritmo de produção não para. Ainda em 2026, Domso acompanha no Brasil a realização de outra novela vertical, Depois daquele verão. Paralelamente, avança com um projeto inovador para o público infantil: As aventuras de Super Soneca no Metassonhos, uma novela vertical infantil híbrida que exige leitura para o avanço da trama.

"A ideia do livro surgiu de uma inquietação pessoal sobre o universo infantil, o tempo que as crianças estão nas telas, os sonhos e a imaginação. Super Soneca nasceu como uma história para ser lida antes de dormir, para criar vínculo", contou Domso. "O sucesso do livro mostrou que havia ali algo que tocava adultos e crianças. Levar essa história para o audiovisual foi um passo natural, mas eu não queria simplesmente adaptar. A proposta da novela vertical híbrida nasce justamente do desejo de manter o livro vivo dentro da experiência", completou.

Nanda Araújo - Lucas Domso, ator e criador

Sobre a importância do formato híbrido, que intercala tela e livro, ele defende que cria uma ponte real entre dois mundos que hoje estão se afastando. "As crianças estão cada vez mais nas telas e cada vez menos nas contações de histórias. A ideia não é afastar do digital, mas dividir o tempo. Ao exigir a leitura ou a escuta para compreender o capítulo seguinte, a história convida a criança a desacelerar, a ativar o imaginário e a viver a narrativa também fora da tela. Especialmente antes de dormir, isso contribui para uma relação mais saudável com o sono e com a fantasia. A leitura deixa de ser obrigação e passa a ser parte da aventura", pondera.

Com trajetória iniciada no teatro no Rio de Janeiro e passagem por novelas como Alma gêmea e Verão 90, Domso mantém forte vínculo com a escrita dramática. Sobre o mercado audiovisual atual e o crescimento do vertical, ele opina: "Acredito que estamos diante de um caminho muito longo e definitivo. O mercado vai precisar renovar seus catálogos e pensar histórias já concebidas para o vertical. Não vejo o formato horizontal desaparecendo, mas dividindo espaço". Para ele, são produções mais acessíveis, que não exigem grandes cenários ou estruturas gigantescas. "Estamos vivendo um momento muito favorável para roteiristas e criadores. É um momento de histórias. Quem tem boas histórias, vai contá-las", conclui.

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