Com uma intensa presença brasileira, a 76ª edição do Festival de Berlim começa hoje e prossegue até 22 de fevereiro, tendo como presidente do júri do evento o alemão Wim Wenders. Ao todo, na competitiva, 28 países estarão representados em um total de 22 produções — 20 delas inéditas. Formado em Brasília, o cearense Karim Aïnouz comparece com Rosebush pruning, mas numa rede de coprodução que une Itália, Alemanha, Espanha e Reino Unido. Com dois recentes prêmios em Sundance, a filha de brasileiro Beth de Araújo está na disputa com Josephine, estrelado por Channing Tatum, e que mostra um episódio de trauma para uma menina que presencia um estupro, fato que deturpa sua visão de mundo.
O filme de abertura, No good man, traz a atriz e diretora Shahrbanoo Sadat em destaque. O longa retrata o Afeganistão de 2021, com o Talibã às vias de retorno. Funcionária de uma emissora de tevê de Cabul, Naru fica desiludida com homens, até o momento em que recebe uma ótima oportunidade de conquistar esperada liberdade.
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Carregado de dramas, o evento abraçará a exibição do filme de Lance Hammer, Queen at sea, estrelado por Juliette Binoche e pelo veterano Tom Courtenay (de O camareiro fiel). Um destino para personagem com demência está no centro da trama. Também em ambiente familiar transcorre Nightborn, de Hanna Bergholm, em que Rupert Grint (Harry Potter) vive marido em crise com uma finlandesa depois do nascimento de um bebê. Um dos destaques promete ser Wolfram, faroeste sobre sobrevivência e acerto de contas, na fronteira colonial da Austrália dos anos de 1930, que associa crianças a trabalho escravo, e é dirigido por Warwick Thornton.
Multifacetado, o festival terá homenagem à atriz Michelle Yeoh. Com reflexos em torno de mudanças climáticas, Um novo amanhecer (escalado na seleção central) é uma animação japonesa (de Yoshitoshi Shinomiya) que revela o destino de um pai dado como desaparecido. A brilhante atriz alemã Sandra Hüller estrela Rose (de Markus Schleinzer) em que, no século 17, um segredo de misterioso soldado forasteiro promete ser revelado. Dentre jornadas engrandecedoras está o documentário O amor é um pássaro rebelde (da dupla Banker White e Anna Fitch) que trata da reconstrução (adulterada) de vivências entre amigas, por meio de encenações em maquete.
Brasil e outros seis países formam a ponte da produção Narciso, de Marcelo Martinessi, na mostra Panorama. Também neste segmento estão os nacionais Isabel, de Gabe Klinger, e o longa Se eu fosse vivo… vivia, de André Novais Oliveira. O curta-metragem Floresta do fim do mundo também integra a mostra, caso do longa Nosso segredo (de Grace Passô), este no segmento Perspectivas. Também brasileiras serão as participações na Mostra Generation (Kplus/14plus), que trará Feito pipa (de Allan Deberton), Quatro meninas (de Karen Suzane) e A fabulosa máquina do tempo (de Eliza Capai).
