Salve Geral: Irmandade estreou na Netflix e traz um debate sobre um dos capítulos mais delicados da história recente do país: a ascensão do crime organizado. O longa mergulha nos bastidores do mundo do crime e nas conexões entre o sistema prisional e as ruas, com uma narrativa marcada por tensão, disputas de poder e dilemas morais.
O filme é uma continuação da série Irmandade, lançada em outubro de 2019, e foi inspirado em acontecimentos reais que marcam o país. A narrativa é centrada nas engrenagens de uma facção criminosa e nas relações de poder que sustentam a estrutura. A trama aposta em uma abordagem dramática e humana para retratar personagens atravessados por escolhas-limite, nas quais lealdade, medo e sobrevivência se misturam em um cenário de constante instabilidade.
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Mais do que um suspense policial, Salve Geral: Irmandade propõe uma reflexão sobre as fragilidades do sistema prisional brasileiro e os impactos sociais de um modelo que, muitas vezes, alimenta o próprio ciclo de violência que busca combater. O roteiro explora os bastidores de decisões estratégicas, alianças e conflitos internos, oferecendo ao público um olhar ampliado sobre as dinâmicas que estruturam o crime organizado.
O filme investe em uma atmosfera tensa, com cenas que alternam entre o ambiente claustrofóbico das prisões e o cotidiano das cidades sob ameaça. A direção aposta no realismo e na construção de personagens complexos, evitando simplificações e buscando apresentar diferentes perspectivas dentro do mesmo conflito.
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Entre os destaques do elenco está Seu Jorge, que assume um papel de forte carga dramática, ao viver o personagem Edinho. Reconhecido por sua trajetória no cinema nacional, o artista retorna às telas em um personagem que dialoga com temas sociais e com a densidade emocional exigida pela narrativa. Sua atuação acrescenta camadas ao filme e reforça o peso simbólico da ficção.
Entrevista // Seu Jorge
Como é voltar com a saga Irmandade depois do sucesso da série?
Voltar para o universo de Irmandade foi reencontrar uma história que marcou muito a minha trajetória, e também revisitar o Edinho, um personagem cheio de camadas, que carrega suas escolhas, seus conflitos e a responsabilidade pelas consequências delas. Eu fiquei muito feliz de voltar a esse papel e de perceber como esse universo continua vivo e se expandindo cada vez mais. Estou com uma expectativa grande para a estreia e curioso para ver como o público vai receber mais esse capítulo dessa história.
O filme mostra você, como pai, vendo sua filha pela primeira vez depois de um tempo preso. Qual foi o peso dessa cena para você?
É uma cena que carrega uma dimensão profundamente humana. Ela fala sobre vínculos, sobre o tempo perdido e sobre tudo aquilo que não cabe nas palavras. Como ator, meu trabalho foi me conectar a essa emoção de forma verdadeira e buscar as nuances de um encontro atravessado por vários sentimentos: amor, culpa, esperança e silêncio. O que mais me tocou foi justamente essa camada emocional. Mesmo dentro de uma narrativa intensa, movida por dilemas e conflitos, o filme nunca perde de vista quais são as relações humanas que sustentam a história. Foi um momento muito forte para mim em cena e um daqueles lembretes do poder que a dramaturgia tem de nos aproximar de sentimentos universais.
Como produções como essa podem ajudar a sociedade a perceber problemas sociais?
Quando o cinema e o audiovisual apresentam personagens cheios de camadas, com dilemas morais e emocionais, eles convidam o público a olhar para essas histórias com mais empatia. Salve Geral: Irmandade fala muito sobre escolhas, consequências e sobre o custo do poder, temas que são universais. Se o filme gerar conversa e diferentes leituras, ele já cumpre um papel muito bonito dentro da arte.
O que esse filme acrescenta na carreira do Seu Jorge como ator?
Cada projeto que me desafia emocionalmente e artisticamente é um passo importante na minha trajetória. Esse filme me permitiu revisitar um personagem intenso e, ao mesmo tempo, explorá-lo sob novas perspectivas, dentro de uma linguagem mais cinematográfica e com uma escala de produção muito impressionante. Trabalhar com uma equipe tão comprometida, sob a direção do Pedro Morelli, e ao lado de um elenco tão potente, foi uma experiência de muito aprendizado. Também fico feliz de ver o audiovisual brasileiro ocupar cada vez espaços maiores e mostrar sua capacidade de realizar produções competitivas internacionalmente. Fazer parte disso é motivo de orgulho para qualquer artista.
Como percebeu, na condição de espectador, Salve Geral: Irmandade?
É um filme muito impactante, daqueles que prendem o espectador não só pela ação, mas principalmente pela densidade dos personagens. Existe um cuidado técnico impressionante, que amplia a sensação de urgência e coloca o público dentro da história. O filme é movido por personagens que não cabem em rótulos fáceis, com muitas contradições, e mulheres que estão no comando das decisões mais importantes da trama. Estou muito animado para essa estreia e curioso para ver como as pessoas vão se conectar com essa história.
*Estagiário sob a supervisão de Severino Francisco
