
Morreu, nesta quinta-feira (5/2), António Lobo Antunes, um dos escritores lusófonos mais traduzidos e lidos internacionalmente, além de frequentemente apontado como possível ganhador do Prêmio Nobel de Literatura. A confirmação foi feita pelo Grupo Leya, editora responsável por seu último romance, lançado em 2022. “A morte está confirmada. Divulgaremos uma nota de condolências”, declarou à AFP uma porta-voz da editora.
Ao longo de sua carreira, Lobo Antunes construiu uma obra extensa e influente, marcada por romances como Os Cus de Judas, Memória de Elefante (1979), Conhecimento do Inferno (1980), Auto dos Danados (1985), Fado Alexandrino (1987), As Naus (1988) e Manual dos Inquisidores (1996). Ele publicou, ao todo, 29 romances e cinco volumes de crônicas da revista Visão. Entre seus prêmios, destacam-se o Grande Prêmio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, conquistado em 1999 por Exortação aos Crocodilos, e o Prémio Camões de 2007, maior reconhecimento da literatura em língua portuguesa.
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Nascido em 1º de setembro de 1942, na freguesia de Benfica, Lisboa, Lobo Antunes veio de uma família da alta burguesia portuguesa. Filho de João Alfredo Lobo Antunes, neurologista e assistente de Egas Moniz, tinha irmãos de destaque como o neurocirurgião João Lobo Antunes e o arquiteto Pedro Lobo Antunes, falecido em 2023. Durante a infância, passava verões na casa dos avós maternos em Nelas. Estudou no Liceu Camões e formou-se em Medicina pela Universidade de Lisboa.
Entre 1971 e 1973, atuou como médico militar durante a guerra colonial portuguesa em Angola, servindo em Lumbala Guimbo, Chiume e Malanje. Essa experiência impactou profundamente sua obra. As cartas enviadas à esposa Maria José Lobo Antunes, enquanto ela estava grávida da primeira filha, foram reunidas pelas filhas e publicadas na coletânea D’este viver aqui neste papel descripto, inspirando o filme Cartas da Guerra, dirigido por Ivo Ferreira.
Após a guerra, especializou-se em psiquiatria e trabalhou no Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa, antes de se dedicar exclusivamente à literatura. Seu primeiro livro, Memória de Elefante (1979), marcou o início de uma carreira reconhecida internacionalmente. Em 2018, tornou-se o segundo autor português, depois de Fernando Pessoa, a ter sua obra incluída na prestigiada coleção da Bibliothèque de la Pléiade.
Na cidade de Nelas, onde a família mantinha uma residência desde a década de 1940, uma biblioteca leva seu nome, em homenagem ao escritor que transformou a literatura portuguesa contemporânea.

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