Veterana no teatro, Catharina Caiado estreia no mundo das novelas como intérprete de uma personagem profunda e complexa. Em Dona Beja, Carminha é uma jovem de origem nobre que é cercada pelo sentimento de insegurança e rejeição. Dentro de casa, vive em conflito constante com a mãe, Augusta (Kelzy Ecard), por estar fora dos padrões de beleza, e cresce acreditando que nunca será amada. Tal percepção muda quando ela então conhece Honorato (Gabriel Godoy), um homem em situação de rua que a faz descobrir o desejo, a paixão e a liberdade.
"Augusta usa de tradições morais e religiosas para ter mais poder e domínio sobre a própria filha", explica a atriz Catharina sobre o papel. "Ela quer se realizar por meio da Carminha. Talvez, ela quisesse ser mais magra, feminina e delicada", avalia. "É uma relação de afetos complexos que envolve culpa e domínio, opressão e salvação", descreve a estreante nas novelas.
Catharina define Carminha como "uma alma muito espontânea com coração puro e vocação para a alegria". "Eu acredito que não são todas meninas que são capazes de dar esse salto, fazer essa ruptura e transformar o sofrimento em força de vida", opina a atriz.
Em contraponto à opressão vivida dentro de casa, Honorato é a ponte que Carminha encontra para a liberdade, afirma Catharina. "As paixões têm um papel fundamental de serem esses agentes que nos libertam das nossas famílias e casas", pondera. "E é muito linda essa história de amor, que nasce de uma paixão marginal. O futuro deles segue em suspense, mas será surpreendente", promete a atriz, que se diz feliz pela aprovação do casal pelo público.
Para Catharina, interpretar uma menina que se torna mulher quando assume responsabilidade pelo corpo e pelo desejo, como ela mesmo descreve, é uma imensa honra. "A Carminha me fez conquistar uma forma ainda mais fluida de lidar com esses elementos. Eu sou muito corporal e visceral e, talvez por isso, eu me permito a transformação. Eu acho que o corpo e a vida estão em eterno movimento. Hoje, vejo isso com beleza e naturalidade. Eu acho que o corpo é livre e, assim como a vida, está sempre em transformação", relata a atriz.
Remake adaptado
Dona Beja revisita, a partir da ficção, a personalidade histórica do século 19 conhecida por desafiar os costumes conservadores da época e é um remake adaptado da clássica telenovela exibida pela TV Manchete em 1986. "A versão da HBO Max é revolucionária, porque joga um olhar atual para aquela sociedade por meio de uma protagonista que é uma força da natureza e que se permite viver uma liberdade à altura dos desejos do seu corpo", defende Catharina.
"Além disso, o texto da produção está à frente de seu tempo. O corpo da Carminha seria padrão na época de origem da trama. Mas esse é um espelho de hoje, porque vivemos um tempo em que os padrões seguem sendo uma utopia. Eles são desenhados por um sistema que ganha com a busca obsessiva das mulheres por reconhecimento e pertencimento", critica a atriz.
