Cinema

Nicho 54 lança livro que faz levantamento sobre cinema negro no Brasil

Publicação identificou 1.104 filmes dirigidos por pessoas negras entre 1949, ano de registro da primeira obra catalogada, e 2022

O Instituto Nicho 54, organização sem fins lucrativos que atua para o aumento da presença de pessoas negras no audiovisual brasileiro, promove o lançamento do livro Cinemateca Negra nesta quinta-feira (26/3), às 19h, no Cine Brasília, em evento gratuito. A publicação investiga a história do cinema negro no Brasil entre 1949 e 2022. 

O evento de lançamento começa com uma roda de conversa sobre a importância de objetos culturais para a preservação da memória negra. Participam da mesa Bethânia Maia, produtora e curadora; Lila Foster, pesquisadora e curadora; e Manuela Thamani, diretora do Observatório da Branquitude. Após o debate, será exibido o longa-metragem Insubmissas, sobre o protagonismo feminino no cinema e na literatura.  

O estudo que resultou em Cinemateca Negra identificou 1.104 curtas, médias e longas-metragens dirigidos por pelo menos uma pessoa negra desde 1949, ano de registro da primeira obra catalogada, até 2022. O objetivo da pesquisa é entender padrões e variações estatísticas entre as décadas no que diz respeito aos formatos e gêneros dos filmes e a identidade de gênero dos produtores. 

Para Fernanda Lomba, diretora executiva do Nicho 54, alguns dos principais achados da pesquisa são o crescimento dos gêneros híbrido e experimental, a preponderância de longas-metragens entre as produções analisadas e que, em nenhum momento, o número de realizadoras que se identificam como mulheres cis superou o número de homens cis. “Durante a pesquisa, descobrimos também uma sub-representação de diretores trans na ficção e uma super-representação no experimental. O flerte com artes visuais e performance por meio de obras que borram as fronteiras é uma hipótese”, diz.

Lomba também ressalta a importância dos diretores Afrânio Vital e Agenor Alves para o aumento da produção de longas entre as décadas de 1970 e 1980: o número de obras catalogadas durante o período subiu de cinco para 11. A produção de longas alcançou o ápice na década de 2010, com 62 obras. “Enxergamos uma combinação de fatores num ecossistema: políticas públicas e sociais, dentro e fora do audiovisual e atravessadas por ações afirmativas, bem como facilidades trazidas pela tecnologia digital, o crescimento no número de festivais, o aumento exponencial de curadores negros e de formações em audiovisual fora das universidades”, explica a diretora. 

Para aumentar a divulgação das descobertas do estudo, o Nicho 54 promoverá lançamentos regionais de Cinemateca Negra. O instituto também apresentará a pesquisa para mercados internacionais, incluindo um painel do Festival de Cannes deste ano. 

Serviço

Lançamento de Cinemateca Negra

Nesta quinta-feira (26/3), às 19h, no Cine Brasília (106/107 Sul). Entrada gratuita. 

 

*Estagiária sob supervisão de Nahima Maciel

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