
Temas como solidão no mundo contemporâneo, fragilidade das relações virtuais e autoaceitação guiaram a escritora Luiza Fariello na narrativa de Um corpo para Jamie, que ela lança nesta quarta-feira, às 18h, no Glória Café (CLN 313, Bloco C). Autora de Essa palavra eu não falo, semifinalista do Prêmio Oceanos, e Hoje deserto, finalista do Prêmio Candango de Literatura, Luiza trouxe para o primeiro romance a história de Mariano, “um homem solitário que vive em uma quitinete em Brasília, com muita dificuldade de relacionamento, especialmente com as mulheres, e com uma relação complicada com o próprio corpo”.
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Para se relacionar com outras pessoas, o personagem cria um falso perfil virtual e passa a viver uma realidade paralela iniciada por brincadeira, mas que acaba ganhando uma dimensão maior do que a esperada. “A ponto de começar a apagar a fronteira entre o mundo real e virtual”, avisa a autora, que é professora de língua portuguesa na rede pública do DF. O personagem passa então a enfrentar dilemas e a questionar a própria humanidade ao conviver com uma espécie de duplo dentro de si. Inspirada por grandes clássicos da literatura, como O duplo, de Dostoievski, e O médico e o monstro, de Stevenson, Luiza conduz a trajetória de Mariano por caminhos cada vez mais complicados. “Ele se vê acuado pelo próprio personagem que criou. Assim, alguns temas importantes do romance acabaram se impondo na história”, conta a autora.
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Luiza começou a escrever o romance há seis anos como um exercício para aprofundar a escrita nos sentimentos e na história de um personagem central masculino. “Já que, nos meus livros de contos, eu retratei mulheres e o mundo materno”, explica. “Creio que o que me motiva a começar é sempre uma emoção forte ou o espanto – nesse caso, foi a sensação de estarrecimento ao observar a inconstância e a superficialidade das relações do mundo virtual, no qual as pessoas são tratadas como mercadorias e facilmente substituíveis (quando não selecionadas em uma espécie de “cardápio” em aplicativos de namoro, por exemplo)”, diz.
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Este incômodo, somado à incompreensão diante do novo, foram fundamentais para a autora construir a base da história. “Não busquei oferecer respostas, até porque não acho que seja o papel da literatura; tentei motivar questionamentos de outras perspectivas, por meio da história de um homem comum”, garante.
Serviço
Um corpo para Jamie
de Luiza Fariello. Editora Patuá, 172 páginas. R$ 80
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