O Pesadelo na Cozinha, apresentado por Erick Jacquin na Band e também disponível em plataformas de streaming, se consolidou como um dos melhores programas de entretenimento da televisão brasileira na atualidade.
Além de bem avaliado pela crítica, o reality, lançado em 2017, já tem 5 temporadas e mais de 40 episódios. Ainda sim, garante boa audiência na TV aberta e figura entre os mais vistos na plataforma de streaming HBO Max.
Mas o que explica esse sucesso? E, mais importante: até quando o formato consegue se manter relevante?
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Formato internacional que funciona no Brasil
O Pesadelo na Cozinha não é um formato original brasileiro. Trata-se de uma adaptação de um modelo internacional que ficou mundialmente conhecido com Gordon Ramsay, criador de atrações como MasterChef e Hells Kitchen. No caso brasileiro o reality é uma coprodução Band e Warner.
A dinâmica é simples e eficiente: um chef renomado visita restaurantes em crise, identifica problemas e propõe soluções. No Brasil, essa fórmula encontrou em Erick Jacquin o nome ideal para dar vida ao programa.
Eric Jacquin é o grande diferencial da versão brasileira
Boa parte do sucesso do Pesadelo na Cozinha passa diretamente por Erick Jacquin. O chef constrói um personagem forte: explosivo, rigoroso, muitas vezes duro, mas também carismático e divertido.
Esse equilíbrio entre bronca e humor é o que torna o programa envolvente. O público se diverte com as reações exageradas, o sotaque marcante e as críticas diretas, ao mesmo tempo em que acompanha a transformação dos restaurantes.
Diferente do que acontece no MasterChef, onde divide espaço com outros jurados, aqui Jacquin é o protagonista absoluto. E isso faz toda a diferença.
Entre broncas, gritos e soluções: a fórmula que conquista
A estrutura do programa segue um padrão bem definido. Jacquin visita restaurantes com problemas graves de gestão, atendimento ou qualidade. Durante a análise, ele aponta erros de forma intensa com gritos, críticas duras e momentos de tensão.
Para quem assiste, esse exagero é justamente o que torna tudo mais interessante e até divertido. Já para os participantes, a experiência pode ser bastante desconfortável.
No entanto, o programa não se resume ao conflito. Ao longo dos episódios, o chef orienta os responsáveis, promove mudanças e, no final, apresenta um restaurante renovado, com nova proposta e, muitas vezes, um novo cardápio.
O resultado quase sempre é um final feliz, o que ajuda a equilibrar o tom do reality.
Reality show também é entretenimento e nem tudo é espontâneo
Como todo reality show, o Pesadelo na Cozinha também levanta questionamentos sobre o quanto é totalmente real. Em alguns momentos, pode haver a impressão de situações combinadas ou roteirizadas.
Além disso, há dúvidas comuns, como a presença de clientes nos restaurantes: são reais ou convidados? Em muitos casos, é possível que haja participação de figurantes, o que é compreensível do ponto de vista de produção.
No fim das contas, isso não compromete a experiência. O objetivo é entregar entretenimento e nisso o programa cumpre bem seu papel.
O maior risco: o desgaste do formato
Apesar do sucesso ao longo das cinco temporadas, existe um ponto de atenção importante: o desgaste do formato.
A estrutura do programa muda pouco de episódio para episódio. Sempre há um restaurante em crise, uma intervenção intensa e uma transformação final. Ainda que as histórias e personagens sejam diferentes, a essência é repetitiva.
Por isso, a estratégia de espaçar as temporadas tem sido fundamental. Se o programa fosse exibido de forma contínua, com uma temporada em sequência da outra, a tendência seria o público se cansar.
O futuro depende de equilíbrio e de Jacquin
Com uma exibição mais espaçada, o Pesadelo na Cozinha consegue manter o interesse do público e preservar sua força como produto de entretenimento.
Mas há um fator ainda mais decisivo: Erick Jacquin.
Sem o chef, dificilmente o programa teria o mesmo impacto. Seu carisma, sua personalidade e seu estilo único são o verdadeiro motor da atração.
Se bem administrado, o reality ainda tem fôlego para continuar relevante por muito tempo. Mas, como todo formato repetitivo, depende diretamente de equilíbrio para não perder aquilo que o tornou um sucesso.
