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João Gana conta ter feito um 'mergulho no caos' para compor vilão épico

O ator de 24 anos estreia na tevê em "Amor em ruínas" e revela os desafios de viver o vilão Pecaías na nova produção bíblica da Record. "O desafio é justamente mostrar que até nas escolhas mais duras existe afeto", defende

Aos 24 anos, o ator João Gana celebra um marco importante em sua trajetória artística. Pela primeira vez na televisão, ele dá vida a Pecaías, vilão da novela Amor em ruínas, produção da RecordTV em parceria com a UniverVideo. O personagem estratégico, ambicioso e leal à família marca não apenas sua estreia no formato, mas também seu primeiro antagonista.

Criado em comunidade, João carrega consigo a força das mulheres que o ajudaram a construir seus sonhos. “Aprendi com a minha mãe e minha avó a não desistir dos meus sonhos”, afirma o ator. A paixão pela atuação surgiu ainda na infância, entre brincadeiras e personagens imaginados, e se tornou escolha profissional após seu primeiro teste. “Ali, eu tive certeza do que queria fazer”, completa.

Para construir Pecaías, no entanto, o ator precisou se distanciar de sua própria essência. Professor de yoga, João buscou o oposto do equilíbrio para acessar a intensidade exigida pelo papel. “Para encontrar o personagem, precisei mergulhar no caos”, revela. A preparação incluiu treinos físicos, artes marciais e referências em universos mais densos.

João explicou como foi o processo técnico de abandonar o estado de equilíbrio para viver um vilão: “Foi interessante porque eu não precisei abandonar o equilíbrio, eu precisei usar esse equilíbrio pra acessar o caos com sabedoria. Para mim, foi muito sobre sair da zona de conforto e me colocar em lugares de pressão. Buscar ambientes mais intensos na natureza, descalço, no mato, na água. Para sentir esse lugar mais instintivo, de sobrevivência". O ator frisa que Pecaías vive sob tensão o tempo todo, em extremos. "Então eu precisei me permitir entrar nisso de verdade, mas sabendo voltar. Acho que o processo foi muito sobre isso: se expor, mas com consciência”, relata.

Sem maniqueísmo

A transformação corporal também foi fundamental para dar ritmo ao personagem. “Por ele ser um guerreiro, eu entendi que precisava estar sempre em estado de prontidão. Então, busquei mais esse corpo ativo, não só forte fisicamente mas com força mental também. Para mim, essas duas coisas caminham juntas. Quando o corpo está mais preparado, a mente responde diferente. Você se sente mais seguro, mais potente, e isso muda a forma como você ocupa o espaço em cena", defende.

Para o artista, esse treinamento trouxe a ideia que ele buscava de defesa, estratégia e atenção constante. "E isso acabou ditando o ritmo do personagem, porque o Pecaías não é alguém acomodado, ele está sempre em movimento, sempre um passo à frente, sempre agindo”, destaca.

Apesar da natureza vilanesca de Pecaías, João fez questão de evitar um olhar maniqueísta sobre o personagem. “Eu evito olhar para o Pecaías como vilão. Para mim, ele é alguém que acredita profundamente no que está fazendo. A lealdade à família é o que traz essa humanidade. Porque, no fundo, muitas das atitudes dele vêm de um lugar de proteção. O desafio é justamente mostrar que até nas escolhas mais duras existe afeto. Acredito ser isso que torna o personagem mais próximo do público e menos óbvio”, defende.

O ator confessou que, em alguns momentos, foi difícil não julgar as atitudes do personagem. “Mas, ao mesmo tempo, eu sempre me lembrava de que ele é humano, e todo ser humano tem uma história por trás das suas escolhas. Então procurei entender, não julgar. Buscar de onde vêm essas atitudes, essas reações, esses sentimentos. Olhar para a origem, para a infância, para a forma como ele foi criado", argumenta. "O Pecaías é alguém que foi treinado desde cedo, física e mentalmente. Então existe uma construção ali, uma formação. E, quando você começa a enxergar isso, o julgamento vai dando lugar à compreensão”, conclui.

 

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