
Com o friozinho chegando, um dos eventos favoritos dos brasilienses retorna a capital. Com programações nas quintas e sextas de hoje até o dia 29 de maio, o Buraco do Jazz inicia a temporada que celebra uma década do projeto na capital com muita música, encontros e diversão. Conhecido como o mais fantástico e menor festival de jazz do Brasil, o evento é idealizado por Gustavo Frade e reunirá grandes atrações.
Hoje, no gramado do Centro Cultural Três Poderes, a partir das 18h, a programação começa com o grupo Jazz na Carta. No dia seguinte, terá Soul Jahzz e Maíra Guedes. Para os dias 14 e 15 de maio, o som fica por conta de Clara Telles, Gabriel Guedes e Quinta Essência. Andreza Marques e Isabela Bianor tomam conta do evento nos dias 21 e 22. Na última semana, Pedro Castro e Black Blues fecham a programação.
Para ampliar a interação do público, as noites de Buraco do Jazz também terão o tradicional concurso de cangas, no qual a mais bonita e a mais feia serão selecionadas. "O concurso de cangas foi a ideia mais absurda que tivemos nesses últimos 10 anos. Como o show era muito grande e as bandas precisavam de tempo para comer e ir ao banheiro, eu pensei no concurso para ocupar os 30 minutos do intervalo", conta Gustavo Frade. "O mais importante é que, no final, todos ganham vinho ou chope ou beijo, pois os participantes já estão 50% sóbrios e a brincadeira vale muito a pena", ressalta o idealizador do projeto.
Em entrevista ao Correio, Gustavo Frade relembra o início do evento e toda a trajetória até o aniversário de 10 anos do Buraco do Jazz.
Entrevista// Gustavo Frade, idealizador do Buraco do Jazz
Como surgiu o Buraco do Jazz?
Depois de um longo período viajando e refletindo sobre o propósito da minha vida, cheguei à conclusão que meu objetivo era unir as pessoas através da alegria e da diversão - coisa que fazia desde criança com festas menores, mas sempre com a mesma tendência. O tempo passou e amadureci. Naquela época, existia uma onda de ocupação da cidade em locais públicos. Eu desenvolvi alguns projetos como Food Truck nos Eixos, El Clandestino, Orla Food Truck, entre outros. Mas eu me encontrei mesmo com o movimento de jazz. Em 2016 a proposta do Buraco do Jazz foi colocada em andamento, atrás do posto da 214 sul - entre o Eixão e o Eixinho, sempre às quintas. Na época, ainda imaturo e muito imediatista, acreditava que o projeto era somente para aquele ano por conta das dificuldades. Eu não imaginava que ele ia continuar no ano seguinte. No entanto, foi um período em que Brasília teve uma seca muito grande e nós não paramos em dezembro, na verdade, nós não paramos mais. Houve uma prosperidade. Nós mudamos de local e conseguimos desenvolver o projeto em vários pontos da cidade, já fizemos na Funarte, no Parque da Cidade e, desde 2023, estamos no Centro Cultural Três Poderes, por meio de uma parceria com o Rafael Rangel, gerente do CC3P.
O Buraco do Jazz é um dos eventos favoritos dos brasilienses. O que você acha que mais encanta o público?
O que mais encanta o público é ele mesmo. A quantidade de gente que tem em cada edição é fantástica. As pessoas não saem para fazer coisas. As pessoas saem para encontrar pessoas e o público participa ativamente do evento. Nós dependemos deles para continuar e eles sabem disso.
Como foi a escolha da programação para a celebração de 10 anos?
A escolha da programação foi a melhor parte do processo este ano. Queríamos shows 'pra cima', celebrando tanto quem já brilha na cidade quanto quem está começando. Larissa Assis, que também produz o evento, e eu mergulhamos nas redes sociais das bandas e a sintonia foi tão grande que chegamos a fechar convites ali mesmo, entre conversas e vinhos, na maior energia! O melhor de tudo é que, com o suporte de uma emenda parlamentar, pudemos retribuir o talento de quem sempre esteve conosco com um cachê superior ao habitual. As bandas nos adoram e a recíproca é verdadeira: esse projeto é feito de som, mas, acima de tudo, de amor e respeito mútuo.
É difícil manter um evento com o mesmo nível de relevância por 10 anos. Como você se sente com o sucesso constante do evento?
A parte mais difícil de manter o evento são as documentações. A cada ano que passa, os brigadistas, seguranças e aluguel da área pública aumentam. Agora, em 2026, está custando R$1,00 um m² por dia de uso. E nós pagamos a administração de Brasília por esse aluguel, pois esse recurso é muito bem-vindo para o governo conseguir arcar com os custos de toda cidade. Eu, particularmente, vejo a importância disso. Nós temos uma ótima relação com a administração de Brasília, pois somos um evento de seis meses, que ocorre semanalmente. Então, precisamos que ter boa relação. O sucesso do evento é, nada mais nada menos, um prêmio por todo nosso esforço. A dedicação é exclusiva. Não existe fim de semana mais. Larissa e eu estamos nos recuperando sábado à noite. Domingo, temos reunião às 10h da manhã e o domingo é dia de planejamento. Segunda-feira tem a gravação semanal. E, pronto, compras, mais documentos e já deu quinta-feira. Duas pessoas organizam tudo toda semana, até o período do início das chuvas.
Agora com 10 anos, como é olhar para trás? O que de mais importante o Buraco do Jazz traz para os brasilienses?
Olhar para trás é ver a consolidação de um sonho que ocupou o espaço público de forma genuína. Nascemos da vontade de democratizar a música e hoje, 10 anos depois, percebemos que o Buraco do Jazz virou um patrimônio afetivo de Brasília. O que trazemos de mais importante é o sentimento de pertencimento. Em uma cidade muitas vezes vista como setorizada e fria, o evento prova que o brasiliense quer — e precisa — ocupar o gramado, estender a canga e viver a cidade com arte e segurança.
Qual a importância de um evento como esse para a cultura da capital?
A importância é vital porque trabalhamos na base da economia criativa e da descentralização cultural. O evento está com 320 edições. Mais de 95% das edições foram feitas sem nenhum recurso público. Apenas com a ajuda do público frequentador. O Buraco do Jazz não é apenas um show; é uma vitrine para músicos e bandas locais e um ecossistema que movimenta desde o pequeno empreendedor até o turismo da capital. Além disso, reforçamos a identidade cultural de Brasília como um polo de jazz e blues, mostrando que a nossa 'praia' é o parque, a música instrumental e a convivência democrática entre diferentes gerações.

Diversão e Arte
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