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No ar em reprises, ator Kiko Pissolato investe na música e na literatura

O artista de 46 anos lança o clipe de "Contrato social", primeira música de seu primeiro álbum autoral totalmente independente. O ator de "Avenida Brasil" e "Amor à vida" também aposta na literatura com o livro de contos "Eu conto, ou você conto?"

Kiko Pissolato, ator, escritor e cantor -  (crédito: Kim Leekyung)
Kiko Pissolato, ator, escritor e cantor - (crédito: Kim Leekyung)

Com as reprises de Avenida Brasil e Amor à vida no ar às tardes — respectivamente no Vale a pena ver de novo (TV Globo) e no Globoplay Novelas — o público tem se perguntado: por onde anda o ator Kiko Pissolato? O intérprete de Jair (na novela da Carminha) e de Maciel (na trama de Félix) segue como ator, mas agora também aposta em outras vertentes de sua carreira artística: as de cantor e escritor.

O artista de 46 anos acaba de lançar o clipe de Contrato social, primeira música de seu primeiro álbum autoral, produzido de forma totalmente independente. O projeto marca uma nova fase artística de Kiko, que investe no universo musical com composições próprias e um trabalho mais pessoal e intimista.

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Natural de Piracicaba (SP), Kiko também aposta na literatura com o livro de contos Eu conto, ou você conto?. Entre o confessional e a ficção, a obra reúne 38 narrativas que oscilam entre humor ácido, lirismo e provocação, apresentando personagens emblemáticos e caricaturas sociais que revelam facetas íntimas e universais do ser.

“Eu sempre cantei, sempre contei histórias e sempre vivi personagens. Agora, vou ser o personagem mais difícil de todos, que sou eu mesmo. Sou eu, sem a máscara da persona escrita por outro para me defender. São as minhas histórias, as minhas vivências, as minhas dores — entregando na bandeja para as pessoas, tentando furar essa bolha e fazer chegar ao máximo de pessoas possível”, declarou Kiko.

46 anos de histórias

O artista detalhou sua trajetória multifacetada: “São 46 anos vivendo minhas histórias. Comecei a escrever com 10 anos de idade. Desde pequeno, lembro de ter feito um livro com o professor de português. Minhas matérias favoritas sempre foram as de humanas — obviamente, como todo artista. A escrita sempre foi uma parte muito importante da minha vida. Mesmo quando comecei no teatro, sempre mantive a escrita em exercício. Tenho nove peças escritas, 16 projetos de audiovisual escritos, fora dois livros infantis publicados e um de contos”.

Kiko declara que o livro de contos nasceu ao longo do tempo. "É um gênero que gosto muito de ler e de escrever. Tenho vários contos guardados desses anos. No ano passado, resolvi juntar tudo e tentar publicar. Consegui com a Patuá, e o livro ficou lindo, do jeitinho que sonhei. Os feedbacks têm sido muito positivos”, celebra.

Kiko Pissolato, ator, escritor e cantor
Kiko Pissolato, ator, escritor e cantor (foto: Kim Leekyung )

Ele ressalta que tudo que faz enquanto artista tenta colocar sua expressão, mas pensando também na sociedade e no contexto em que está. "Se vou para o teatro, tento fazer com que a mensagem, a ideia, o conceito cheguem à plateia. O livro foi pensado nessa estrutura de contos curtos, outros nem tanto, para essa cabeça nova que funciona à base de feed, de coisas rápidas, de atenção rápida. Esse é o mundo que temos hoje”, argumenta.

Pissolato lembra que isso se reflete no audiovisual também, com as novelas verticais. "Todo mundo fica o dia todo no celular. Como chegar às pessoas? Ao longo dos últimos anos, por necessidade, todo artista acaba tendo que diversificar. Escrevo, dirijo, produzo, atuo, dou aula. O fazer artístico é parte fundamental de quem sou. Tentar entender as redes sociais sempre foi um drama para mim, mas nunca encontrei um formato ideal”, defende.

Diversificação além da tevê

O ator celebra o fato de, durante 25 anos de carreira, teve o privilégio de fazer três novelas das nove — incluindo Insensato coração (2011). "Avenida Brasil está passando agora — é uma delícia ver, embora minha participação tenha sido pequena, foi intensa. Fiz Amor à vida, que também está passando. Foram momentos importantes da minha carreira. Sou muito grato pelo que pude viver e conquistar”, agradece. “Mas, nos últimos anos, tem sido muito difícil sobreviver como ator, por falta de estabilidade e oportunidade. O número de empregadores conta na hora da escalação. Vamos ficando mais velhos, e o funil do trabalho vai ficando mais apertado. Por isso, a diversificação”, justifica ele, que pode ser visto na série Chuva negra (Canal Brasil) e no filme Love Kills, recém-lançado nos cinemas.

De acordo com Kiko, a música entra nessa história. Ele sempre escreveu letras de música e, aos 17 ou 18 anos, escreveu uma música para um festival da Globo. "Sempre sonhei em cantar — cantava onde podia: no karaokê, no teatro, em testes para musical. Acho que sonhei em ser cantor antes de ser ator. Mas pensava: ‘Tanta gente canta pra caramba’. A questão sempre foi o repertório. Não levava muito a sério a ideia de fazer um álbum”, relata.

Foi aí que ele entrou no que chama de "surto criativo": veio uma inspiração, compôs muitas músicas novas. Contrato social foi a primeira dessa leva. "Resolvi gravar um álbum — na verdade, vários nos próximos anos. Esse primeiro álbum tem 10 músicas, todas autorais. As letras são minhas; as melodias, feitas com meu parceiro Paulo Giovani. A produção é do Henrique Cavalari. Gravamos tudo de forma independente porque queria ir na contramão do mercado, sem me render às estéticas e vontades dos algoritmos. Enquanto fazem músicas de 1 minuto e 30, eu trago músicas de 4, 5, 6 minutos — tenho uma de 6 minutos. Letras potentes, poéticas, arranjos lindíssimos, com uma aura retrô. Tudo aquilo que eu gosto”, explica.

Kiko Pissolato, ator, escritor e cantor
Kiko Pissolato, ator, escritor e cantor (foto: Kim Leekyung)

"Edificante"

Se o artista tivesse que resumir esse disco em uma palavra, seria edificante. "Para elevar as pessoas. Falo de política sem falar de partido, falo de religião sem falar de Deus, falo de filosofia sem ser papo cabeção. Tento passar uma mensagem positiva, de maneira dançante, gostosa, divertida. Sem pretensão, só entregando mais um pouquinho do que trago dentro de mim”, frisa.

Kiko conta que, no final do ano passado, conversando com o filho sobre as músicas e o que está acontecendo, falou: "Tanta coisa ruim — mas também tanta coisa boa, que a gente acaba nem recebendo. Nessa onda de rede social, modinhas, coisas que duram 30 segundos, tudo muito descartável. Será que não tenho nada mais interessante que isso?”

O artista destaca que o primeiro clipe tinha que ser no teatro, no palco. "O Darcy Ribeiro gentilmente cedeu o Teatro Jaraguá, lindo, maravilhoso. Filmamos lá, na raça. O resultado ficou muito bonito", comemora, assinalando que o clipe de Contrato social está no YouTube, e a música está em todas as plataformas. "Vem muita coisa por aí. É o primeiro álbum. Já vou entrar em estúdio de novo no final do ano para gravar o segundo. Tenho 60 músicas. Pelo menos seis álbuns eu garanto. Enquanto eu tiver tempo nesta terra, quero aproveitar ao máximo e tentar levar uma mensagem positiva para as pessoas”, conclui.

  • Kiko Pissolato, ator, escritor e cantor
    Kiko Pissolato, ator, escritor e cantor Foto: Kim Leekyung
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    Kiko Pissolato, ator, escritor e cantor Foto: Kim Leekyung
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    Kiko Pissolato, ator, escritor e cantor Foto: Kim Leekyung
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postado em 23/05/2026 17:00
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