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Experiente nos palcos, Marcelo Alvim fala do desafio do musical 'Chatô'

Marcelo Alvim celebra 15 anos de palco com o musical "Chatô e os Diários Associados — 100 anos de uma paixão no Rio de Janeiro". Ele também estreia na televisão em produções bíblicas da Record TV: "Não houve demora, mas amadurecimento", diz

Após uma trajetória consolidada no teatro musical, Marcelo Alvim se prepara para um ano de viradas. O ator, que acaba de estrear o musical Chatô e os Diários Associados — 100 anos de uma paixão no Rio de Janeiro, divide-se entre a volta de Cartas para Gonzaguinha e as gravações de suas primeiras produções para o audiovisual: as minisséries Ben-Hur e Amor em ruínas, ambas da Record.

A estreia na televisão acontece após 15 anos de carreira majoritariamente dedicados aos palcos. Longe de ver o hiato como uma demora, Marcelo o interpreta como amadurecimento. "O audiovisual sempre foi um desejo, mas eu acredito muito no tempo certo das coisas. Esses 15 anos no teatro, especialmente no musical, me deram uma base artística muito sólida. Sinto que estou chegando mais maduro e preparado", afirma em entrevista.

A passagem para a telinha, segundo ele, não representa uma ruptura, mas uma expansão. "O teatro continua sendo minha base e minha paixão, mas é muito especial poder explorar outras linguagens", diz. Sobre a relevância da tevê aberta na era do streaming, o ator é categórico: "A televisão aberta ainda tem uma força muito grande no Brasil e alcança públicos que as plataformas muitas vezes não alcançam. Ela continua sendo muito importante culturalmente".

O desafio de viver Chatô

Enquanto o público não vê sua estreia na Record, Marcelo Alvim está em cartaz com um dos maiores desafios de sua carreira nos palcos: viver Fabiano, o jornalista protagonista de Chatô e os Diários Associados — 100 anos de uma paixão. O musical revisita a trajetória de Assis Chateaubriand, fundador dos Diários Associados e criador da TV Tupi, entrelaçando a biografia do magnata com a história contemporânea de um repórter desempregado em crise profissional e amorosa.

Marcelo Alvim assume o papel em substituição ao ator Claudio Lins, que interpretou Fabiano em outras temporadas. A responsabilidade, ele admite, é grande. "É um espetáculo com uma grandiosidade estética e histórica impressionante", descreve.

A peça tem camada dupla: ao mesmo tempo em que narra feitos fundamentais da comunicação brasileira, também reflete os dilemas do jornalismo atual. Para Marcelo, o texto consegue equilibrar a homenagem e a crítica com sensibilidade. "Existe uma grandiosidade, mas também uma conexão humana muito forte."

Otimista com o crescimento do gênero no país, Marcelo celebra o momento do teatro musical brasileiro, ainda que reconheça os percalços. "Hoje temos produções grandiosas, artistas extremamente preparados e um público cada vez mais interessado. Ainda existem desafios, mas vejo um mercado mais forte e profissionalizado", analisa.

Sala de aula

Fora dos palcos e estúdios, o ator acumula outra função: professor de teatro na rede municipal de Niterói, onde integra o programa Aprendiz Musical, que atende cerca de 10 mil crianças e jovens. "Dar aula é uma das experiências mais transformadoras da minha vida. Levar a arte para jovens é também uma forma de transformação social", afirma. "Muitas vezes, a sala de aula vira um espaço onde os alunos conseguem se expressar de maneiras que não conseguem em outros lugares."

Com agenda que concilia estreia em Chatô, retomada de Cartas para Gonzaguinha, gravações na tevê e a docência, Marcelo Alvim vive o que define como um "divisor de águas". Não por abandonar o teatro, mas por provar que ele pode conviver em harmonia com a câmera e a sala de aula. "Vejo mais como uma expansão do meu trabalho do que uma mudança de direção", conclui.

 

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