
Destacado como um dos "grandes poetas e uma das maiores figuras da cultura da língua portuguesa", em nota da Academia Brasileira de Letras, o poeta e tradutor Alexei Bueno morreu, aos 63 anos, na noite de sexta (26/6). Conhecido pela vocação enciclopédica em relação à história do Rio de Janeiro, Alexei consagrou-se ainda como assíduo colaborador da ABL. O velório do autor, morto em decorrência de um câncer de fígado, será no domingo (28/6), às 10h, no Cemitério dos Ingleses (Santo Cristo).
A doença de Alexei foi descoberta no início do mês, depois que passou mal, em Portugal, ao integrar discussões acerca de Camões. O diagnóstico foi dado no Brasil.
A extensa carreira foi inciada, aos 16 anos, quando despontaram os primeiros versos. Em 1995, ele obteve o reconhecimento de melhor livro de poesia do ano (com A via estreita) pela Associação Paulista de Críticos de Arte. A vocação literária derivou para campos como o da crítica de arte e ensaísta. Em 2004, o autor venceu o Prêmio Jabuti e ainda o Prêmio da Academia Brasileira de Letras de Poesia. Ao lado de George Ermakoff, em 2006, organizou e publicou Duelos no serpentário — Uma antologia da polêmica intelectual no Brasil (1850-1950).
Entre as publicações de Alexei Bueno estão A chave quebrada, Histórias das ruas do Rio (atualização feita a partir de obra de Brasil Gerson). Como tradutor, debruçou-se sobre obras de Gérard de Nerval, Edgar Allan Poe e Stephane Mallarmé. Novas edições para obras de Augusto dos Anjos, Mário de Sá-Carneiro, Cruz e Sousa, Olavo Bilac, Gonçalves Dias, Vinicius de Moraes e Álvares de Azevedo. Pela Editora Record, em 2022, lançou A escravidão na poesia brasileira: Do século 17 ao 21; um ensaio antológico alinhavado pela produção de 80 poetas.

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