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Com reinvenção e curiosidade, Cleo Pires assume rédeas das próprias escolhas

Depois de oito anos afastada das novelas, a atriz Cleo Pires retorna à tevê em "Coração Acelerado" e vive um momento de expansão criativa na produção audiovisual, com produção em "O velhgo Fusca" e protagonismo em "Se eu fosse você 3"

Cleo Pires vive novo capítulo na carreira -  (crédito:          Divulgação                                                                                                                                                                                                                                                       )
Cleo Pires vive novo capítulo na carreira - (crédito: Divulgação )

Afastada das novelas desde 2018, Cleo Pires retorna à teledramaturgia em Coração acelerado como Alana Matos, uma ex-musa teen que se reinventou como empresária do universo sertanejo. "Voltar foi um misto de casa conhecida com território novo. Claro que deu frio na barriga, mas foi um frio bom, de reencontro. A novela fez parte da minha formação como atriz, então retornar para as novelas depois de oito anos tem um peso simbólico", reflete a artista, em entrevista ao Correio. Esse simbolismo, porém, vem acompanhado de uma transformação profunda: "Ao mesmo tempo, eu voltei outra pessoa, mais consciente, mais dona das minhas escolhas, e isso muda tudo".

A construção de Alana Matos parece ter encontrado na própria trajetória de Cleo um terreno fértil para florescer. A empresária que lida com fama, bastidores e reconstrução de imagem carrega camadas que dialogam diretamente com a fase atual da atriz de 43 anos. "A Alana entende que a imagem não é algo fixo, que a gente pode e precisa se reconstruir ao longo do tempo", explica Cleo. "Isso conversa muito com a fase que eu vivo hoje, de assumir quem eu sou sem pedir licença, sem precisar corresponder a expectativas antigas", completa.

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A libriana encontrou na personagem um espaço honesto para abordar temas que atravessam sua própria vida. "A Alana teve uma vida muito parecida com a minha em alguns aspectos e foi importante trazer um pouco de mim e ficar com um pouco dela em mim a frente desse trabalho", revela.

O retorno à televisão não é um movimento isolado, mas parte de uma fase mais ampla de consolidação e expansão na carreira de Cleo. A atriz, que começou sua trajetória muito jovem sob os holofotes por ser filha de Gloria Pires e Fábio Jr., hoje encara os projetos com uma perspectiva radicalmente diferente.

"Hoje eu escolho menos pelo 'tamanho' e mais pelo sentido", afirma. "No início, quando eu era mais nova, eu aceitava muitas coisas pelo impulso, pela oportunidade. Agora eu penso: Isso conversa comigo? Com o que eu acredito? Com a mulher que eu sou hoje? Se a resposta não for honesta, se não tiver algo que me motive por trás da história, eu prefiro esperar", pondera.

Essa postura mais seletiva, longe de significar menos trabalho, representa uma guinada em direção à profundidade. "Os meus sonhos hoje passam menos por quantidade e mais por profundidade", resume ela.

Em março deste ano, Cleo estreou nos cinemas com O velho Fusca, longa-metragem que marca não apenas seu retorno às telonas, mas também sua atuação como coprodutora. O filme, dirigido por Emiliano Ruschel, narra uma história sensível sobre superação de traumas familiares, tendo um fusca como elo central de uma família que carrega questões a serem resolvidas.

Outro marco dessa fase intensa é a participação em Se eu fosse você 3, sequência de uma das franquias mais bem-sucedidas do cinema nacional, com estreia prevista para setembro. Assumir o protagonismo de uma história já consolidada no imaginário popular é um desafio que Cleo encara com cuidado e respeito.

Cleo Pires, atriz
Cleo Pires, atriz (foto: Divulgação )

Entrevista | Cleo Pires

Depois de oito anos afastada das novelas, como foi voltar a esse formato que marcou o início da sua carreira? Teve aquele frio na barriga de primeira vez?

Voltar foi um misto de casa conhecida com território novo. Claro que deu frio na barriga, mas foi um frio bom, de reencontro. A novela fez parte da minha formação como atriz, então retornar para as novelas depois de oito anos tem um peso simbólico. Ao mesmo tempo, eu voltei outra pessoa, mais consciente, mais dona das minhas escolhas, e isso muda tudo.

Em Coração acelerado você vive a Alana Matos, uma ex-musa teen que virou empresária e carrega camadas de passado e reinvenção. O que dessa jornada da Alana conversou mais com a sua própria fase hoje?

A reinvenção. A Alana entende que a imagem não é algo fixo, que a gente pode e precisa se reconstruir ao longo do tempo. Isso conversa muito com a fase que eu vivo hoje, de assumir quem eu sou sem pedir licença, sem precisar corresponder a expectativas antigas.

Alana lida com fama, bastidor e reconstrução da imagem. Você sentiu que esse papel te deu espaço pra falar de coisas que você mesma viveu nesses anos fora da televisão aberta?

Totalmente. A Alana me deu um espaço muito honesto pra abordar alguns temas. São assuntos que fazem parte da minha vida há muito tempo e que eu vivi intensamente nesses anos fora da TV aberta. A Alana teve uma vida muito parecida com a minha em alguns aspectos e foi importante trazer um pouco de mim e ficar com um pouco dela em mim a frente desse trabalho.

Como foi o processo de construir uma personagem que é ao mesmo tempo dura nos negócios e vulnerável por dentro? Teve algo da Alana que te surpreendeu enquanto gravava?

Eu pensei nela como alguém que criou uma armadura e se adaptou a outros formatos pra sobreviver. A dureza vem da necessidade, não da falta de sensibilidade. O que mais me surpreendeu foi perceber o quanto ela é afetiva, mesmo quando tenta esconder. Em algumas cenas, essa vulnerabilidade escapava sem que eu planejasse e isso foi lindo.

Esse retorno à TV acontece junto com uma fase intensa no cinema. Como você equilibra a rotina puxada da novela com as gravações e lançamentos de filmes?

Com muita organização e, principalmente, escuta do corpo. Não romantizo rotina puxada. Tento equilibrar entendendo prioridades, respeitando limites e sabendo que não dá pra estar 100% em tudo o tempo todo. Mas quando os projetos fazem sentido, a energia vem. As gravações foram em momentos distintos e isso ajudou um pouco no equilíbrio dos pratinhos.

Em Se eu fosse você 3 você assume o protagonismo de uma franquia que já é querida do público. Qual foi o maior desafio de entrar numa história tão consolidada e dar um frescor novo pra ela?

O maior desafio foi honrar a memória afetiva do público sem repetir fórmulas. Eu não queria “imitar” nada que já existia. Quis trazer verdade, humanidade e uma mulher do nosso tempo pra dentro de uma franquia tão amada como Se eu fosse você 3 com o meu toque Cleo.

Além de atuar, você assinou como coprodutora de O velho Fusca. O que te motivou a ir pra trás das câmeras e como foi essa experiência de construir a narrativa desde o início?

Sempre tive curiosidade sobre o todo da obra. Eu já atuo na produção e coprodução de alguns projetos há um tempo, mas especificamente sobre O velho Fusca foi uma decisão muito consciente de ocupar outro lugar, além da atuação, também participar da narrativa desde o início. Foi desafiador, mas recompensador, porque a história é muito especial e o elenco ainda mais.

Você fala em escolhas mais conscientes e alinhadas ao seu posicionamento profissional. O que mudou na forma como você escolhe um projeto hoje comparado ao início da carreira?

Hoje eu escolho menos pelo “tamanho” e mais pelo sentido. No início, quando eu era mais nova, eu aceitava muitas coisas pelo impulso, pela oportunidade. Agora eu penso: isso conversa comigo? Com o que eu acredito? Com a mulher que eu sou hoje? Se a resposta não for honesta, se não tiver algo que me motive por trás da história, eu prefiro esperar.

Entre televisão, cinema e produção, parece que você está buscando mais autonomia criativa. Qual desses lugares te dá mais liberdade hoje pra contar as histórias que você quer contar?

A produção me dá muita liberdade criativa, mas a atuação ainda é onde eu elaboro tudo emocionalmente. Hoje, o ideal é quando esses lugares se encontram, quando eu consigo atuar e também participar das decisões criativas do projeto.

Você sempre foi marcada por personagens fortes. Acha que isso é algo que o público espera de você ou você sente vontade de subverter essa expectativa agora?

Acho que o público se acostumou a me ver em personagens fortes, mas força não é dureza o tempo todo. Tenho muita vontade de subverter isso, de mostrar fragilidade, contradição, silêncio. Isso também é força.

O velho Fusca foi lançado em março e agora vem Se eu fosse você 3 e Coração acelerado. Como é viver esse momento em que vários trabalhos seus chegam quase juntos pro público?

É intenso e muito especial. Ver Coração acelerado, os filmes e projetos chegando quase juntos dá uma sensação de colheita. São trabalhos que fiz com muito amor, cada um de um jeitinho muito único e todos eles foram feitos em momentos diferentes da minha vida, mas que agora se encontram diante do público e ver a reação das pessoas assistindo cada um, aquece muito o meu coração.

Depois de tantos anos de carreira, o que ainda te dá vontade de se reinventar e experimentar coisas novas como atriz e produtora?

A curiosidade. Ela nunca foi embora. O desejo de não me repetir, de não me acomodar, de continuar aprendendo. Isso é o que me move até hoje.

E pra fechar: que tipo de história você ainda sonha fazer e não fez até hoje?

Eu sonho em contar histórias femininas mais maduras, complexas, que não estejam presas a estereótipos. Histórias sobre mulheres reais, contraditórias, que erram, recomeçam e não pedem desculpa por existir. Isso ainda me move muito.

 


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postado em 29/06/2026 15:26
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