O bombeiro carioca Davi Lopes adotou a marcenaria como hobby quando entrou na corporação em 1987. Com o tempo, teve a ideia de começar a coletar pedaços de madeira de escombros dos incêndios que ajudava a combater e, depois, tirou a licença remunerada para se tornar luthier. A atividade seguiu durante os anos e, em 2018, veio um dos eventos mais dramáticos da recente história brasileira — o incêndio no Museu Nacional no Rio de Janeiro.
Com o processo de reconstrução do Museu em curso, decidiu contribuir da forma que podia: produzindo instrumentos com a madeira coletada no prédio. Agora, usando os violões de Davi, o cantor Paulinho Moska comemora o Dia dos Namorados com o show gratuito Paulinho Moska — Os violões fênix do Museu Nacional amanhã, às 19h30, na área externa do Boulevard Shopping. Os ingressos podem ser retirados pelo site Sympla.
Para Moska, cantar músicas de amor e renovação utilizando os violões feitos a partir da madeira do Museu tem significado especial. "Não existe amor sem renovação… E, para celebrar o Dia dos Namorados, é sempre importante lembrar disso. O amor também sofre incêndios e precisa ser reconstruído a cada dia. Das cinzas de um amor podem nascer novos encantamentos", reflete.
Tudo novo de novo, A seta e o alvo, Pensando em você e A dor traz o presente são algumas das canções no repertório. O show tem início com a exibição de trechos do documentário Fênix: O Voo de Davi, que conta a história do bombeiro e mostra como a arte contribuiu para a memória e reconstrução do Museu Nacional.
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O cantor considera Davi "um herói". "São madeiras com mais de 300 anos de existência, sobreviventes que carregam história. Hoje, depois de décadas vivendo na floresta e 200 anos dentro de um museu com sarcófagos egípcios e esqueletos de dinossauros, entre outros milhares de itens queimados, nos oferecem música e poesia", diz Moska.
Com o show, Moska busca comemorar o poder de transformação que tragédias como o incêndio promovem, além de denunciar a negligência com a cultura. "O museu só pegou fogo porque houve atraso no pagamento para prevenção contra incêndios por parte de quem deveria cuidar da memória e da cultura", afirma. "Num país onde orçamentos secretos e desvios financeiros acontecem a olhos vistos, é lamentável que a materialização da história seja transformada em cinzas por causa do desprezo e da ganância."
*Estagiária sob supervisão de Severino Francisco
Paulinho Moska — Os violões fênix do Museu Nacional
Amanhã, às 19h30, na área externa do Boulevard Shopping (Setor Terminal Norte, conjunto J). Entrada gratuita, mediante retirada no Sympla.
