Cinema

Steven Spielberg está de volta ao universo dos extraterrestres com 'Dia D'

Aposta alta nas bilheterias mundiais chega com os extraterrestres brotados da mente do mago Steven Spielberg no longa -metragem 'Dia D'

Em um trecho do mais recente filme assinado pelo mestre da ficção-científica Steven Spielberg — que tem no currículo E.T. — O extraterrestre (1982) —, uma personagem delineia a dúvida, ao se deparar com um ser vivo: "É uma criança?", e a responta vem com sonoro "não!". Surge a nova pergunta: "É uma pessoa?", e, a galope, há a nova negativa. Numa terceira tentativa: "Não é humano?", e paira o silêncio absoluto. Numa trama que ele mesmo criou, Spielberg, que trata de extraterrestres, posiciona um hiato demarcado (no enredo) por sua própria idade: 79 anos de dados lacunares e desinformação acompanham a humanidade. Em entrevista à rede CBS, o autor de clássicos como a saga Indiana Jones e o premiado A lista de Schindler (1993), apontou Dia D, que estreia hoje, como o "filme de resumo do que criei na ficção científica".

Reclamando uma "base de verdade", o autor de cinema questionou: "Não está na hora de nos contarem o que vem acontecendo nos últimos 80, 90 anos em nossos oceanos e em nossos céus?". Com toda a liberdade para criar, Spielberg apostou numa rede de controle, riqueza e estabelecimento de poder, para explicar ações de personagens como o do empresário Noah Scanlon (personagem de Colin Firth). Junto à corporação Wardex, Noah emperra o fluxo de informações e salvaguarda dispositivos mantidos em segredo junto à humanidade. Teorias da conspiração alimentam o roteiro de David Koepp, lembrado por colaborações junto a diretores de peso como Robert Zemeckis, Brian De Palma, Steven Soderbergh, Sam Raimi, David Fincher e, claro, Spielberg.

Questão latente na filmografia de Spielberg motivou a escrita do filme: "Quando o grande desconhecido é conhecido por alguns, mas não por todos nós, é essa desigualdade que me motivou (a criar)". Sangue, crucifixos, dispositivos de alta tecnologia e traumas de personagens entram em cena no enredo que, aos poucos, une a apresentadora televisiva Margaret Fairchild (Emily Blunt) e o funcionário rebelde da Wardex Daniel Kellner (Josh O´Connor, de Rivais). Crenças, determinação e um bizarro esquema de transe alcançam os dois personagens que, sequer, são conhecidos, aparentemente.

"Não tenha medo daquilo que desconhece": a frase soará como mantra em diferentes momentos da vida dos personagens envolvidos numa rede de crimes cibernéticos. Num enredo cheio de suspense, Margaret traz "um dom" especial, ainda que não detenha o controle. Proclamada "uma passageira" no que ela chama de "fluxo", Margaret parece plácida, em um ambiente de incerteza para a humanidade nutrida "por pânico e caos". Desorientados, por causa dos inexplicáveis impulsos da jornalista, ela e o companheiro Jackson (Wyatt Russell), empreendem um circuito de fuga de autoridades. Nisso, se igualam aos fugitivos Jane (Eve Hewson) e Daniel, ambos com as vocações profissionais em crise.

Citando latentes crises entre americanos e russos, o embate sessentista relacionado a Cuba e ainda crises de teor biológico, Dia D esquematiza, no roteiro, uma realidade de pânico. Spielberg, atuante junto à equipe técnica de habitués como o diretor de fotografia Janusz Kaminski e o maestro John Williams, introduz muito dos efeitos de realidades paralelas (criadas por tecnologia), sem deixar de lado perseguição de carro, ações em despenhadeiros, tiroteios e fugas em locomotivas. A presença da calejada jornalista interpretada por Courtney Grace, inesperadamente, traz um dos momentos mais emocionantes do filme.

 


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