
O mago da sétima arte George Lucas (criador de Star Wars) foi o primeiro autor de cinema a deixar marcas no diretor francês Pierre Coffin que, aplicado na trinca dinheiro, trabalho e dedicação, entrega ao mundo mais um filme solo dos minions, numa saga de sete fitas integradas ao universo de Meu malvado favorito, império da animação operante na imaginação dele já por 20 anos. No montante da franquia, o lucro do filme distribuído pela Universal (e criado na Illumination), até o momento, superou a casa dos US$ 5,5 bilhões. A cada três anos intensos de produção, uma vez que faz, inclusive, as vezes de dublador dos personagens, Coffin entregava um novo longa. Uma renovação de propósito no enredo fez o exausto Coffin encarar Minions & monstros, sob estímulo do produtor Chris Meledandri.
No ambiente da década de 1920, os minions aparecem em realizações cinematográficas à era do nascimento do cinema. "Fez sentido situar tudo nos primórdios do cinema como o conhecemos. Há especificidade e alinhamento aos personagens centrais: na maneira como eles se movem, na forma como suas gags são construídas, os minions são herdeiros das estrelas do cinema mudo — Chaplin, Buster Keaton e outros", comentou para a Variety, Pierre Coffin (que dirige a fita com Patrick Delage, esse codiretor de Meu malvado favorito 4).
Descritos como caóticos, emotivos e desajeitados, os minions reclamam a graça das crianças, como analisa Coffin. Em sessões que serviram de teste junto aos espectadores, tédio e riso da plateia modularam as decisões da nova aventura. "A comédia é muito subjetiva. E o pior é que as piadas que fazem você rir no início (da jornada de criação) provocam cada vez menos risadas depois de três anos", explicou Coffin à imprensa norte-americana. Para além de exprimirem palavras (muita delas incompreensíveis), os minions (dublados pelo diretor!), acredita o criador, conquistam pela irreverência.
"Tenho um pequeno glossário (mental). Sempre que vou a um restaurante ou ouço espanhol, italiano ou japonês, as coisas se misturam na minha cabeça. Não há um vocabulário real nem gramática. Mas, ainda assim, é tudo muito roteirizado", explicou o francês para a revista Variety. O tom universal de Mr. Bean e de Jim Carrey instiga o cineasta do segmento da animação, capaz de valorizar ao extremo elementos de "corporeidade".
Completo na estrutura, em um mês, Minions & monstros estava introjetado na mente do criador. A comédia visual seguiu o planejamento dos efeitos do cinema pioneiro passando de modelo artesanal para o industrial, isso sem dizer do foco da transição do cinema mudo para o falado. Amizade, aspectos inclusivos (o personagem Ed é parcialmente deficiente) e a diversidade na elaboração do contexto da Los Angeles dos anos 20 figuram no enredo.
Na infância, Pierre Coffin conta ter sido desencorajado de assistir tevê (tida como "perda de tempo", pelos pais). Isso não interferiu em nada para as referências vistas em Minions & Monstros, que mostra referências à lua do filme de Georges Méliès e ainda e ao zoopraxiscópio (associado às imagens do cavalo de Muybridge, elementar para o desenvolvimento de dispositivos da fotografia e do cinema). No filme, que tem roteiro criado ao lado de Brian Lynch, entram muitas caretas de personagens como James, Henry e Ed, além de novidades como o robô Dort, o diretor de cinema Max e a inesperada participação da vilã Irene. Maldições, aventuras com monomotor e locomotiva, sem contar do dia a dia no cenário da indústria de Hollywood também estão na telona, habitada, de fato, por um exército de minions.
Operários do lucro
Meu malvado favorito (2010) rendeu US$ 544 milhões
Meu malvado favorito 2 (2013) rendeu US$ 935 milhões
Minions (2015) rendeu US$ 1,15 bilhão
Meu malvado favorito 3 (2017) rendeu US$ 1,03 bilhão
Minions 2: A origem de Gru (2022) rendeu US$ 937 milhões
Meu malvado favorito 4 (2024) rendeu US$ 986 milhões
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